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    May 15

    NOBEL DA PAZ PARA NORDESTINO E PRESIDENTE LULA

    Está no site INSTITUTO BRASIL VERDADE um artigo atribuído ao prof. Wagner Valenti – Departamento de Biologia da USP – no qual o biólogo faz considerações pouco honrosas ao senhor Lula da Silva. Entre as agressões dirigidas ao presidente diz ele: 1) “Ele pensa que chegou a presidente pela competência, mas foi por uma junção entre sua persistência malufiana e o ‘mudancismo’ do eleitor, que só pelo desejo de mudar nem se sabe o quê vota alternadamente em
    candidatos como Collor e Maluf, e depois em Lula & companhia”; 2) “Ele pensa que é respeitado lá fora, mas não passa de uma curiosidade zoológica, como o mico-leão dourado. A esquerda romântica de lá acha lindo um operário do terceiro mundo ter virado presidente”.
    O professor desfia um elenco de considerações recheadas de tanto rancor e tanto ódio que inevitavelmente nos leva a concluir ser ele pertencente a um velho grupamento político que outrora se denominava “direita raivosa”. Por que tanto ódio? Ao final a pessoa que me enviou o artigo, para piorar, diz que o biólogo “é um bom professor de Biologia, pois, mostrou que entende bem de moluscos, vermes e parasitas…”. O que se há de fazer?
    Enquanto isso o presidente Lula prossegue sua caminhada (aliás, o artigo do professor tem como título Forrest Lula). Mas o barbudo não está nem aí para esse tipo de comentário. E quando toma conhecimento, reitera que é vitima do preconceito. Não deixo de dar razão ao sapo barbudo.
    O que é real mesmo é que Lula, em que pese o ódio que suscita em meia dúzia de invejosos e recalcados, está cada dia mais na crista da onda. E parece inteiramente confiante no ditado árabe: “A caravana passa e os cães ladram”. Esse pessoal vai ficar mais enfurecido quando souber que a UNESCO (isso mesmo, o órgão da ONU que cuida da Educação, da análise da civilização e das pessoas que contribuem com formulações de procedimentos para um mundo melhor) vai conferir a ele [Lula] o prêmio que é uma espécie de pré-Nobel. Tudo em reconhecimento ao emprenho e desempenho do mandatário maior do Brasil. Há uns meses, conversando com um amigo, disse prá ele não estranhar se o barbudo ganhasse o prêmio Nobel da Paz daqui a um ou dois anos. Meu amigo arregalou os olhos e esboçou expressões faciais discordantes com o que acabara de ouvir. Ontem quando soubemos da noticia ele me ligou dizendo que ouvira a notícia sobre o prêmio da UNESCO e confessou acreditar que agora o Brasil vai receber o seu primeiro prêmio Nobel. Melhor ainda: O agraciado vai ser o Pau de Arara de Garanhuns (ou melhor, de Caetés). É mole ou queres mais? Isso vai deixar a paulicéia desvairada enfurecida.
    Tem gente que nasceu com o cotovelo prá lua. Esse é o caso do Lula. O cara realmente é o cara! O presidente Obama, que não é otário, percebeu isso e com toda a espontaneidade assim se externou para todo o mundo ver e ouvir. Claro que meia dúzia dos “contra-Lula” insistem que aquilo foi sacanagem do presidente americano. Nós nem discutimos mais isso porque sabemos se tratar de repetição daquele velho diálogo entre o lobo e o cordeiro na fábula de La Fontaine. Deixa prá lá…
    O que interessa é que o Brasil vai receber o Nobel da Paz (o primeiro de nossa História). Para a Academia de Ciências e Artes de Estocolmo bastam apenas mais umas duas entidades e uns três governos reiterarem formalmente a indicação - e isso está mais do que claro que será feito - e teremos finalmente o nosso Nobel. Como se dizia outrora no bilhar da Confeitaria Araci: É bola na caçapa!
    Quem não gostar da notícia, sugiro tomar um banho frio, se livrar dos ódios que somatizou por causa dos preconceitos históricos disseminado pelo privilegiadíssimo patronato brasileiro e avaliar com isenção o que foi feito de positivo pelo Sr. Lula da Silva. Se fizer isto, estará livre para reconhecer o Barbudo como merecedor do Prêmio. Se não fizer, sofrerá as agruras de ser reconhecida como uma pessoa invejosa e alienada. Pior: continuará sofrendo dores de cotovelo, enxaqueca e osteoporose. E o Barbudo? Bem, o Barbudo estará brindando com a Rainha Sílvia e toda a elegante corte da Suécia. Dá-lhe Lula! Um abraço cordial e até a próxima.

    Paulo Pires (*) ProfessorUnivesritário (UESB-FAINOR).

    CULTURA NACIONAL EM DECADÊNCIA , FONTE PORTAL LUIZ NASSIF


    14/05/2009 - 13:20

    Uma perda para a cultura nacional

    O Brasil poderá perder o mais rico acervo de arte jamais montado, desde que Assis Chateaubriand montou o MASP.

    Trata-se da coleção de Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos.

    Durante anos, Edemar utilizou parte do dinheiro arrecadado em golpes para adquirir todo tipo de arte, de artistas célebres a antiguidades de valor histórico inestimável.

    O juiz Fausto De Sanctis tinha dado uma sentença pela qual todo esse material seria passado para órgãos públicos, museus, universidades e se incorporassem definitivamente ao acervo cultural do país.
    Havia razões de ordem jurídica e de ordem nacional. As de ordem jurídica devido ao fato de que as vítimas do Santos no fundo também eram cúmplices, pois aceitavam receber repsasses de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), desviando parte do dinheiro para papéis do próprio Banco Santos.

    Ontem o Superior Tribunal de Justiça reformou a sentença, ordenando que o acervo volte para a massa falida. Seria dizimado, as peças serão vendidas para colecionadores individuais, haverá enorme dificuldade em definir o valor efetivo. E o país perderá a oportunidade de incorporar à cultura nacional um dos mais valiosos acervos constituídos em sua história.



    34 comentários para "Uma perda para a cultura nacional"

    1. 14/05/2009 - 13:30 Enviado por: Silvana

      STJ fail. ¬¬

      Burrice total.

    2. 14/05/2009 - 13:36 Enviado por: Marco Antonio

      Pois é, mais uma sentença tecnica, jurídica e socialmente brilhante do Juiz De Sanctis reformada pela leitura medíocre e literal de dispositivos legais, feita por Magistrados de Tribunais Superiores, cujos contatos com a realidade às vezes se resumem a estar vivos. É disso que eu falo quando elenco como problema estrutural do Poder Judiciário a falta da conexão entre a letra da lei e sua eficácia no mundo real, fim último de qualquer normatização jurídica. Com a robotização da exegese e a negação do papel de pacificação e bem-estar sociais da lei, aniquila-se todos os valores e direitos, individuais e coletivos. Cultura, dignidade, educação, segurança. Nada disso passa a ser objetivo mediato e definitivo de intérpretes jurídicos, cuja missão continua a ser a simples mecanização do Direito. Lamentável que não haja limites para essa mediocridade.

    3. 14/05/2009 - 13:36 Enviado por: docontra

      é só o governo pagar o valor das obras….

      será que não consegue um descontinho?

      sem falar que o governo, empresas e bancos deve ser parte dos credores.

    4. 14/05/2009 - 13:40 Enviado por: henrique

      Não sei se me lembro bem, mas não me recordo de cobertura tão eficiente a um roubo quanto neste caso dos quadros de Portinari e Tarsila roubados recentemente. Todos os noticiários na TV são unânimes na cobertura: divulgaram retrato falado, acompanhamento diário da notícia. Lembro do acompanhamento do roubo ao MASP, em que a imprensa fazia questão de demonstrar que houvera falha de segurança… O assunto — roubo de obras de galerias privadas –, recuperem-se ou não os quadros, é de pouquíssimo interesse público.

    5. 14/05/2009 - 13:42 Enviado por: Ivan Moraes

      Juiz de primeira instancia sabotado por “decisao superior”?!?

      Nossa! Deve ser novidade no Brasil…

      (Mas desaparecam com o Liechtenstein, por favor! Rapido! Doi de feio!)

    6. 14/05/2009 - 13:42 Enviado por: Mario Siqueira

      Gente fina é outra coisa.
      Dinheiro bem aplicado, com bom gosto. Nada de construir castelo, tão enorme quanto ridículo. No máximo uma mansão, um tanto exagerada no tamanho, mas bonitona.

    7. 14/05/2009 - 13:53 Enviado por: carlos anselmo-eng°-fort-ce

      caro nassif,

      eu quero é cegar como essas (…) do stj invocaram o formalismo, o tecnicismo e a verborréia do discurso jurídico brasileiro oficial, que particularmente odeio, para reformar a decisão do juiz fausto de sanctis.

      meu amigo, a luta pela contemporaneidade no brasil não tem descanso. é diária. ufa!

      abçs

    8. 14/05/2009 - 14:06 Enviado por: francisco.latorre

      cabe recurso?

      o mec pode fazer algo?… o iphan?

      estupidez sem limites.

    9. 14/05/2009 - 14:38 Enviado por: Vera Pereira

      Um absurdo, mais uma decisão absurda, desse Direito formalista e burro como bem diz o Marco Antônio. Não se poderia pressionar o MINC para questionar a decisão?

    10. 14/05/2009 - 14:46 Enviado por: Paulo

      E o Sarney nessa história toda ?!?!?!

    11. 14/05/2009 - 14:48 Enviado por: mauro Guerreiro

      O comentário do Sr. Marco Antonio explica tudo. Valores culturais não se medem em moeda corrente mas por tudo que podem proporcionar como ferramenta civilizadora que o nosso querido tanto necessita. O Brasil está doente. De vez em quando surge uma pequena pílula minoradora reacendendo sossas esperanças na construção de um Brasil melhor e menos doente. Ao decidir o STJ já deveria ter recorrido ex-oficio para o STF.

    12. 14/05/2009 - 14:56 Enviado por: Legal

      Bem, o Castelo do deputado mineiro nao era feio, talvez ele destoasse da paisagem, tanto quanto uma boa parte dos predios paulistanos.
      Se bem que feio mesmo e aquele predio em forma de navio. Ridiculo.

      Sobre o acervo. E de lasca. Se bem que o governo poderia entrar comprando no leilao e montar um museu pra todos nos. Sao Paulo nao tem museus de arte. Mesmo o MASP, me perdoem a sinceridade, nao e la estas coisas. Nao comparado a outros mundo afora.

      E ja que estamos falando de cultura, quando e que vao construir um Museu de Ciencia em Sao Paulo? E quando vao disseminar propostas educativas como a Estacao Lapa de Ciencia?

      Pois bem, estao querendo desapropriar toda a area da Cracolandia no centro, o que sou totalmente a favor. A questao e: o que vao colocar no lugar? Minha proposta seria um grande parque com um Museu da Ciencia de um lado e uma Faculdade Tecnologica do outro.

      Mas Museu de Ciencia e algo que os brasileiros nao damos a minima importancia. Uma pena, um belo desenho e uma boa estrutura interna seria um chamariz pro nosso turismo.

    13. 14/05/2009 - 14:59 Enviado por: Rafael

      A nossa elite tem pouca cultura, é fato. Há pouco tempo o Daniel Piza escreveu no Estadão sobre o conhecimento mínino de arquitetura que nossa elite possui, considerando inútil a discussão sobre a contratação do escritório dos aqruitetos Herzog & DeMeuron, simplesmente porque nossa elite nem sabe quem eles são ou fizeram (perdão, conhecem o “Ninho de Pássaro” das Olimpíadas). O MASP foi uma iniciativa louvável de uma pessoa escrota. Com todos os defeitos que Assis Chatobriand tinha, uma coisa ele sabia de fato: o que é ser burguês. Ser burguês não apenas dirigir um carrão e ter ações na Bolsa, é um estilo de vida. O Museu de Arte é isso, a propagação desse estilo: uma obra-prima da arquitetura contendo obras-primas das artes plásticas. Pouco importava o gosto pessoal do dono dos Diários Associados ou seu conhecimento artístico, quem falava o que comprar era um verdadeiro intelectual e estudioso da história da arte, Pietro Maria Bardi. O Brasil possui alguns bilionários, que preferem passar a imagem de mecenas de triatlon ou de cornos de carnaval encoleirado que de um mecenas da artes. Edemar comprou muita obra de arte, mesmo não sendo uma das maiores fortunas do país. É um ponto fora da curva. Nossa elite não consome alta cultura, mas temos uma das maiores frotas de Ferrari do mundo. A Coleção Folha de Artes é o máximo de bagagem cultural que possuem. Depois, quem recebe o Bolsa Família é que é o ignorante.

    14. 14/05/2009 - 15:02 Enviado por: Cláudia

      Lamentável e absurda decisão do STF que, aparentemente, decidiu ver os objetos como mercadorias e não como peças históricas. Existe alguma possibilidade legal de reverter um descalabro desse?

    15. 14/05/2009 - 15:04 Enviado por: Cláudia

      Aliás, não fosse a decisão do juiz De Sanctis e talvez a maior parte dessas peças estivesse perdida porque, antes de serem distribuídas entre os museus, estavam praticamente abandonadas sem qualquer proteção ou cuidado.

    16. 14/05/2009 - 15:09 Enviado por: mauro Guerreiro

      Desculpem: Ficou faltando … que o nosso querido BRASIL tanto necessita.

    17. 14/05/2009 - 15:28 Enviado por: Ricardo

      E a gente finge que os credores de um banco não tem condições de acompanhar a esquematização de uma mutreta.

    18. 14/05/2009 - 15:47 Enviado por: Alessandro Pereira

      Como diria o Walter Benjamin, basta a gente fazer reproduções fiéis das obras e expô-las. A reprodutibilidade técnica permite isso. O que diferencia a Monalisa do Louvre de uma cópia é que a do Louvre está carregada de fetiche.
      Assim, preocupa-me que o dinheiro arrecadado, não sei como, mas enfim, que o dinheiro com a venda das ditas obras volte para os cofres públicos e possa ser melhor empregado. A aquisição das ditas obras foi o desejo de um indivíduo e não deve servir como prêmio de consolação.

    19. 14/05/2009 - 15:54 Enviado por: julio guilherme

      aqui vc toca no cerne da questão. O JUIZ NÃO PODE TUDO, ele precisa se ater aos limites da lei ou do que dita a norma. não pode decidir o destino de bens arrecadados nestes processos segundo seu olhar subjetivo. o código de processo civil dita claramente qual deve ser o destinos destes bens, por mais bem intencionado que o magistrado possa parecer. imagine vc a repercussão se o magistrado resolve decorar o forum com bens arrecadados em processos a seu bel prazer, ou ainda se o magistrado resolve destinar para empréstimos aos desembargadores o dinheiro depositado pelas partes a juro zero, se pode destinar pra onde quer, pode tb fazer estes absurdos. é para isso que a discricioanriedade do agente público é delimitada pela lei. certissimo o STJ, este patrimônio pertence às pessoas lesadas pelo banco. se o Estado quizer que se habilite e adquira as peças em leilão. é assim em qualquer país sério do mundo.

    20. 14/05/2009 - 15:54 Enviado por: Edmar Melo

      Nassif,

      Gostaria apenas de acrescentar que o que foi julgado ontem pela 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça- STJ foi o Conflito de Competência nº 76.740/SP, entre o Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e o Juízo da 6ª Vara Federal Criminal, também de São Paulo.

      A decisão proferida ontem, por unanimidade (8 votos a 0), foi favorável ao interesse dos credores da Massa Falida do Banco Santos. Dessa forma, passarão a compor os ativos da Massa Falida bens de grande valor, dentre eles, importa destacar, a casa do ex-controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira e inúmeras obras de arte. Assim, há controvérsia de que o Brasil perdeu um grande acervo de obras de arte. Primeiro porque esse acervo foi adquirido com dinheiro dos clientes lesados pelo Banco Santos. Segundo porque os credores da Massa Falida não cometeram nenhum crime ao aplicar seus recursos no Banco Santos. Por outro lado, poder-se-ia citar como uma perda para o Brasil, o fato do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira continuar livre, leve e solto.

      Abs.

      Edmar Melo.

    21. 14/05/2009 - 16:02 Enviado por: Antonio Rodrigues

      Legal:

      Concordo com você que o governo deveria entrar no leilão para comprar esse acervo, se essa for a ultima alternativa.

      Agora, discordo de você em sua analise sobre o MASP. O museu paulista esta no nível dos melhores do mundo, evidentemente atrás de outros como o Louvre ou o Prado. Temos obras importantíssimas de Renoir, Degas, Velásquez, Rembrandt, Picasso, Goya e por ai vai.

    22. 14/05/2009 - 16:12 Enviado por: Luiz Eduardo Brandão

      Mário, concordo que as obras são boas, ótimas, as fotos aqui são apenas uma pequena amostra. E a coleção de manuscritos? Uma preciosidade. Até coisa egípcia tem!
      Mas o banqueiro não fez isso por mecenato, senso estético, refinamento nem nada. Fez para lavar dinheiro mesmo. Arte é uma excelente maneira de fazê-lo. Que o digam as máfias russas, que “investem” até em quadro roubado.
      Edmar teve bom-gosto, sem dúvida, ou foi bem assessorado, mas certamente lavou dinheiro montando a preciosa coleção. De quebra, conquistou a simpatia da ilustrada burguesia paulistana, e brasileira em geral.
      Alguém perguntou pelo Sarney nessa história. Bem na véspera de intervirem no banco, um passarinho pousou na janela dele e avisou o que ia acontecer, a tempo de ele fazer a transferência para porto mais seguro.
      Ele só não disse que passarinho era. Uns dizem que um sabiá, outros garantem que foi tiziu. Só é certo que maitaca não foi.

    23. 14/05/2009 - 17:03 Enviado por: Athos

      Antonio Rodrigues, o MASP não está no mesmo nível dos melhores do mundo.
      Longe disso, é um bom museu mas apenas isso.

      Só uma pergunta aos navegantes, se você fosse credor deste banco, concordaria em não receber bulhufas apenas para o MASP ter este acervo?

      Aliás, quem disse que isso deveria ir para o MASP?
      Por que não o MAM?

    24. 14/05/2009 - 17:08 Enviado por: Sancho Brancaleone

      E as obras irão para a massa falida. Falir é conformar-se com a decisão que determinou esse absurdo.
      Conforme o comentário de Marco Antônio, que faço questão de transcrever:
      “É disso que eu falo quando elenco como problema estrutural do Poder Judiciário a falta da conexão entre a letra da lei e sua eficácia no mundo real, fim último de qualquer normatização jurídica. Com a robotização da exegese e a negação do papel de pacificação e bem-estar sociais da lei, aniquila-se todos os valores e direitos, individuais e coletivos. Cultura, dignidade, educação, segurança. Nada disso passa a ser objetivo mediato e definitivo de intérpretes jurídicos, cuja missão continua a ser a simples mecanização do Direito…”

      Conforme a matéria de Mário César Carvalho:

      “Entre outras preciosidades, o museu ganhou o sarcófago de uma múmia egípcia (cerca 1069 a.C.- 945 a.C.), um monumento maia (300 d.C.- 900 d.C), uma bíblia impressa em 1493, menos de 50 anos após a de Gutenberg, e um tablete com escrita suméria de 1900 a.C.
      “A USP não teria como comprar um acervo desses nunca”, diz Eni.

      Caso o STJ decida que a coleção de Edemar deve ficar com a massa falida, será criado um novo conflito: peças arqueológicas não podem ser comercializadas, de acordo com a Constituição…”

      Sendo as obras leiloadas, certamente irão parar nas paredes dos abastados. Até como forma de homenagear e de prestar solidariedade ao Edemar que, quando sentir saudades, poderá ir visitá-las.

      Imagine se você tem um filho, ou uma filha - Indianinhas Jones - pequenos que queiram se formar em arqueologia no futuro. Que oportunidade perdida! Essas peças arqueológicas que compõem o acervo, mesmo com a proibição de serem comercializadas, têm mercado certo no exterior. Porém, se não me equivoco, somente às peças arqueológicas nacionais são proibidas a comercialização.

    25. 14/05/2009 - 20:09 Enviado por: Fernando

      Entre as vítimas do Banco Santos estão pessoas que não sabiam das mutretas do sr. Edemar Cid Ferreira e da leniência do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (ambos entidades do estado que iria receber as obras). A frase “As de ordem jurídica devido ao fato de que as vítimas do Santos no fundo também eram cúmplices, pois aceitavam receber repsasses de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), desviando parte do dinheiro para papéis do próprio Banco Santos.” é de profunda infelicidade, pois muitos dos prejudicados são aplicadores em fundos do banco, sem qualquer participação nas fraudes. Existem pessoas que perderam suas economias de anos.

      Quanto a juiz de Sanctis, faz muito bem seu papel na vara criminal, mas foi de uma infelicidade tremenda ao invadir a competência de outro juiz, a quem cabe decidir o destino das obras.

    26. 14/05/2009 - 20:40 Enviado por: romério rômulo

      nassif:
      uma perda dessas é muito forte.
      como esses tribunais,ditos superiores,pensam?
      romério

    27. 14/05/2009 - 20:41 Enviado por: robledo duarte

      O serra poderia sair de seu governo fazendo pelo menos algo para ser lembrado no futuro. Poderia trocar as assinaturas da folha e veja pelas obras do bandoleiro do banco de santos e fazer um upgrade no MASP.

    28. 14/05/2009 - 21:20 Enviado por: Ivan Moraes

      ““É disso que eu falo quando elenco como problema estrutural do Poder Judiciário a falta da conexão entre a letra da lei e sua eficácia no mundo real, fim último de qualquer normatização jurídica. Com a robotização da exegese e a negação do papel de pacificação e bem-estar sociais da lei, aniquila-se todos os valores e direitos, individuais e coletivos”

      Sancho e Marco Antonio: quando foi a ultima vez que judiciario fez alguma coisa PELO Brasil?

      Nao faz, nao faz, nao faz. Judiciario brasileiro serve pra legalizar corrupcao de elite. O judiciario brasileiro ***SERVE*** pra isso. Ele eh arquitetado pra fins exclusivos de elites. Arquitetado pra falhar em todos os casos de elites corruptas. Nao falha.

      O ponto de dizer tudo isso eh que a recem-declarada “mercadoria” ja tem comprador. Eh que ninguem sabe ainda, mas ja esta tudo decidido.

      Porque eh assim que o judiciario ***realmente*** funciona. Pra isso ele nao falha nunca.

      (E o Liechtenstein continua pavoroso como tudo que ele fez -alguem na Europa algum dia vai criar coragem e prohibir a existencia de pintores alemaos? Eita sofrimento!)

    29. 14/05/2009 - 22:13 Enviado por: José Robson

      Segundo eu li, os investidores do Banco foram tidos na sentença penal como “cooperadores” da fraude, ou seja, foram aqueles que deram o dinheiro para a “lavagem”, daí porque a pena acessória de perdimento dos bens. Em resumo: os bens foram tidos como produto do crime.

    30. 14/05/2009 - 22:29 Enviado por: luzete

      Existem juízes, existem homens estúpidos que não sabem julgar questões as mais elementares. muitos destes últimos estão na profissão errada. não servem seuuer para apitar futebol de várzea, porque este é coisa simples mas séria.

    31. 14/05/2009 - 23:43 Enviado por: THE GHOST OF WILLTWO

      Pisaram na bola novamente.

      Ah, estão criando mais cargos no Judicíário.

      Deus nos ajude.

    32. 15/05/2009 - 03:24 Enviado por: Juliano Guilherme

      Leger, Basquiat e Linschtestein. Qualque país de primeiro mundo garantiria que obras desses artistas ficassem no acervo de seus Museus. Esse De Sanctis sabe das coisas. É o cara.

    33. 15/05/2009 - 10:53 Enviado por: Antonio Alvaro Guedes

      O IPHAN não se manifestou?
      Bens artísticos não é patrimônio da humanidade?

      http://masp.art.br/sobreomasp/historico.php

      De Sanctis para presidente do STF já!

    34. 15/05/2009 - 11:24 Enviado por: Fernando

      O estado possui créditos a receber e deve poder abatê-los ao receber as obras. Segundo a decisão do STJ “o juízo falimentar é o credenciado a custodiar todo o patrimônio da falida, para os REPARTIR ENTRE OS CREDORES e os que demonstrem legítimo direito, nos moldes da legislação falimentar. Por essa razão, ao juízo falimentar concorrerão todos os que demonstram interesse no patrimônio da falida.”

      Acho precipitada a decisão saída de uma vara criminal, desconsiderando o processo na vara de falências. O caso foi decidido de forma UNÂNIME pelo STJ. Entre as pessoas afetadas pela falência estão pessoas sem a mínima condição, que ficaram sem receber seus créditos trabalhistas e perderam o emprego. E segundo a decisão do

      Acho interessante a defesa incondicional feita por alguns da atuação do juiz no caso, esse é o país dos heróis virtuosos, incapazes de errar.

      Quem quer que os bens se destine ao estado se movimente para que o Estado aceite as obras no abatimento da dívida.

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    Luis Nassif

    Luis Nassif

    Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.

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    May 10

    AVE CHICO AVE CÉSAR NA FUNDAÇÃO DE CULTURA DO MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA - FUNJOPE.

    São vermelhas as palavras que me fazem pensar neste momento em que retomamos o fôlego das nossas coragens. Estamos aqui, braços imensos de afeto para receber Chico Cesar. Chico representa como poucos o aprendizado das nossas alegrias e das nossas tristezas, acredita na arte, acredita nos artistas, acredita na vida... E nós, de onde quer que estejamos, saberemos responder dando as mãos ao mano Chico, para termos todos uma cidade melhor, uma vida melhor, uma arte melhor na feitura de um amanhecer que depende integralmente da nossa capacidade de compreender o caminho e caminhar... seguir em frente! Adelante, Chico Cesar! Vamos continuar extraindo do nosso sonho o aço das nossas atitudes.

    Chico é dos nossos! Ele vem da militância, da poesia e seus acasos, da luta por um mundo de homens e mulheres iguais. Por isso estaremos juntos, em pele, osso e fantasia, em tesão e poesia, em sonho e energia... estruturando a vida de um mundo que nos faz sonhar, pois que nasce dentro de nós a cada instante. Chico é um mestre dos sons e das palavras. Um mestre do pensamento contemporâneo. Um mestre da vida. Muito temos a apreender e aprender com essa soma. Muito temos que ensinar.

    Das atitudes que nos fazem sonhar, arrancaremos o primeiro abraço, para seguirmos juntos, em busca de um "sendero luminoso". Ave Chico! Ave Cesar! Seja bem vindo entre os seus antigos e novos compenheiros.
    Fazer política é um jeito de colocar as coisas no seu devido lugar. Por isso, vamos em frente .

    Lau Siqueira, o poera que antecedeu Chico César.

    comentário de Ednamay Cirilo Leite

    é muito bom saber que a música parahybana tem um representante gestor a nível internacional, para deleite universal de nossos valores musicais e principalmente culturais como um todo nesse leque desenfreado dos segmentos da cultura em nosso Estado.

    A ótica desse cidadão Chico César , nascido no alto sertão da parahyba , ( Catolé do Rocha ), nos reporta à guerrilhas e sonhos que não acabam jamais, me emociona tê-lo como parceiro nessa luta eterna ...

    AVE CHICO CÉSAR também no CINEPORT-2009

    o shwo desse sábado 09/05/2009, na tenda da música do festival de cinema de língua portuguesa - CINEPORT, foi memorável, a MAMA ÁFRICA muito bem representada pelos manos, ANGOLANOS, MOÇAMBIQUENHOS, PORTUGUESES, fez a discotecagem da madrugada ferver em ritimos de tambores e eletronicos...
    May 01

    ELOMAR HISTORIOGRAFIA MUSICAL

    Conteúdo integral retirado do Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira(http://www.dicionariompb.com.br/default.asp)

    Com seu canto, inspirado no falar sertanejo e com sua construção musical inspirada na tradição trovadoresca da Idade Média, é também apontado, por seus admiradores como menestrel. Foi definido por Vinícius de Moraes como um príncipe da caatinga. Seus discos são considerados referência da música regional.

    Lançou, em 1968, seu primeiro disco, um compacto simples que trazia suas composições "O Violeiro" e "Canções da catingueira". No mesmo ano, teve "O Robot" e "Mulher imaginária" gravadas por Israel Filho, também em compacto simples. Em 1972, lançou o LP "Das barrancas do Rio Gavião". O disco, independente, gravado no estúdio J.S. Gravações Bahia, vinha com apresentação de Vinícius de Morais, na qual o poeta declarava fazer Elomar "uma sábia mistura do romanceiro medieval e do cancioneiro do Nordeste". O LP trazia doze faixas, todas de sua autoria e prenunciava a carreira de um compositor fiel às suas raízes, guardando os jeitos, falares e sonoridades do povo do semi-árido e também as influências medievais européias tão presentes no interior do nordeste, entre elas: "O Violêro"; "O Pidido"; "Zefinha"; "Incelença do Amor Retirante"; "Cantiga de Amigo"; "Cavaleiro do São Joaquim"; "Na Estrada Das Areias de Ouro"; "Retirada"; "Cantada"; "Acalanto" e "Canção Da Catingueira". Em 1979, lançou, com Arthur Moreira Lima, o LP "Parcele Malunga", pelo selo Marcus Pereira, com, entre outras, as composições "O violeiro", "As curvas do rio", "Cantiga de amigo" e "Chula no terreiro". Ainda em 1979, Dercio Marques gravou, de Elomar, a composição "Arrumação", no disco "Canto forte da primavera". No mesmo ano, lançou pelo selo Marcus Pereira, o álbum duplo "Na quadrada das águas perdidas", que lhe consolidou o prestígio junto à crítica do eixo Rio-São Paulo e que contava com composições de sua autoria, entre as quais "A meu Deus um canto novo", "Na quadrada das águas perdidas", "Estrela maga dos ciganos", "Noite dos Santos Reis" e "Cantoria pastoral". Em 1980, lançou "Parcelada Malunga" que contou com as participações de Xangai e Zé Gomes. Em 1981, lançou "Fantasia leiga para um rio seco", com as composições "Abertura", "Tirana", "Parcela", "Contradança" e "Amarração". No mesmo ano, com grande sucesso de crítica, participou, no Teatro Municipal de São Paulo, do espetáculo "ConSertão", com cenários de Aldemir Martins, e com a participação de Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Heraldo do Monte. Em 1983, lançou o álbum duplo "Cartas catingueiras", trazendo, entre outras, as composições "Cantiga do estradar", "História de vaqueiros", "Faviela", "Gabriela", "Incelença para um poeta morto" e "Duvê esse chão quêma meus pé". Esse disco é um registro do cancioneiro de Elomar, sendo mostradas peças de violão-solo compostas a partir da quadra dos dezessete. No mesmo ano, foi lançado, pela Kuarup, o disco duplo "ConSertão", no qual estão presentes as composições "Estrela maga dos ciganos", "Noite dos Santos Reis", "Na estrada das areias de ouro", "Campo branco", "Incelença pra terra que o Sol matou", "Trabalhadores da destoca" e "Corban", todas de sua autoria. Esse disco, que foi gravado na sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, teve participações do pianista Arthur Moreira Lima, do violonista Heraldo do Monte e do saxofonista Paulo Moura.

    Em 1983, lançou o LP "Auto da Catingueira", com todas as faixas de sua autoria e que dedicou à poética "sertaneza" brasileira, o disco foi gravado inteiramente na sala de visitas da Casa dos Carneiros, (em sua fazenda), com a colaboração de grandes artistas como Juracy Dórea , Marcelo Bernardes, Jaque Morelembaum, Andréa Daltro, Dércio Marques e Xangai, entre outros, tendo Ernani Maurílio, Adeline Renaut e Cici Corecoré na coordenação das gravações. Em 1984, participou no Teatro Castro Alves, em Salvador, do show "Cantoria", com Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai, no qual foi gravado disco ao vivo lançado no mesmo ano pela Kuarup. Estiveram presentes no disco, de sua autoria, as composições "Desafio do auto da catingueira", interpretada por ele e Xangai, "Cantiga do boi incantado", também com ele e Xangai, "Cantiga do estradar", com sua própria interpretação, "Violêro", com Xangai e mais Jacques Morelenbaum no cello e "Cantiga de amigo", que Xangai interpreta acompanhado dos violões de Elomar, Vital Farias e Geraldo Azevedo. Em 1985, foi lançado o disco "Cantoria 2", com os mesmos integrantes do disco anterior. Também no mesmo ano, a Kuarup lançou o disco "Sertania", com participação de Elomar e Orquestra Sinfônica do Sertão, este disco foi trilha sonora para o filme homônimo. O disco, produzido por Mário de Aratanha, foi gravado em PCM Digital por Filipe Cavalieri no Teatro Castro Alves, em Salvador, em janeiro de 1984, exceto faixas 4 e 9 gravadas em abril no Palácio das Artes em Belo Horizonte. Foi editado no Brasil e na Europa. "Dos Confins do Sertão", lançado em 1986, pela gravadora alemã Trikont, foi gravado e publicado na Alemanha Ocidental, a convite especial do governo dali (na época em que se aplicava o "Ocidental") foi o resultado de uma apresentação em um Festival de música Ibero-Americana, em que Elomar representou o Brasil e acabou recebendo da crítica daquele país o primeiro prêmio intenacional. Fazem parte do disco as faixas ":Parcelada/Puluxia"; "O Violeiro; "Campo Branco"; "O Pidido"; "Cantiga de Amigo";

    "Função"; "Cantiga do Boi Incantado"; "Na Estrada das Areias de Ouro"; "Naninha; "Noite de Santo Reis" e "Lôas para o Justo.

    "Concerto Sertanez", lançado em 1988, contou com participação de Turíbio Santos, Xangai e João Omar. Em 1989, lançou pela Kuarup o disco "Elomar em concerto", com algumas regravações, como "A meu Deus um canto novo" e "Incelença pro amor distante".

    Em 1992, lançou "Árias sertânicas", que mostra fragmentos de suas óperas. No disco as vozes e violões são de Elomar e João Omar. 1995 foi o ano de "Cantoria 3", que registrou os momentos solos de Elomar durante a grande "Cantoria" que deu origem a três álbuns no total e muitos turnês pelo país. Apresenta-se normalmente acompanhado pelo Grupo Kaleidoscópio, que é composto por João Omar, maestro e compositor (além de ser seu filho, que o acompanha desde os nove anos) no violão, Elena Rodrigues na flauta e Ocelo Mendonça no violoncelo, e que fazem parte da Camerata Concertante. Em seu estilo, além de aparecerem influências da música medieval, há também a utilização de registro diferenciado de linguagem, baseado no falar da região da caatinga, do norte de Minas Gerais e do interior do sul da Bahia. É criador de bodes e inspirou o caricaturista Henfil na criação de seus personagens Francisco Orelhana e Graúna. O cantor e compositor Paulinho Tapajós compôs com Naire, em sua homenagem, a música "Menestrel das cabras". Recusando-se a ingressar no chamado circuito comercial, vive em pequena cidade na Bahia, de onde só sai, raramente, para apresentações artísticas, sozinho ou acompanhado por seu grupo. Em 2002, participou do CD "Cantoria brasileira" comemorativo dos 25 anos da gravadora Kuarup, juntamente com Pena Branca, Renato Teixeira, Teca Calazans e Xangai.

    Em agosto de 2005, apresentou-se no Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, em sequência do projeto "Música nas estrelas", com casa lotada, como é comum em suas apresentações nos grandes centros como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Sua apresentação se caracterizou pela formação camerística, que incluiu o músico João Osmar (violão)Ocelo Mendonça (violoncelo) e Marcelo Bernardes (flauta), experiência a ser repetida, e ampliada, numa série de concertos pelo interior do Nordeste, em janeiro de 2006, segundo declaração do próprio Elomar, que confirmou seu projeto de realizar uma turnê, apresentando-se por 12 cidades do sertão, com uma estrutura sinfônica compacta criada por ele, com possibilidade de essas apresentações serem gravadas em CD e DVD. Nesse ano, também foi preparado o Songbook com a obra completa de Elomar, e lançado pela Casa de Cultura de Vitória da Conquista, registrando a importância do compositor na música brasileira. O Songbook abrange, inclusive, a produção de Elomar no período de 1992, ano de seu último disco solo, até 2005, comprovando que, mesmo sem lançar disco, o artista continuou produzindo fartamente. Segundo declaração do compositor, publicada em reportagem no Jornal do Brasil, em 20 de agosto de 2005, ele tem "entre 18 a 20 horas de músicas prontas na partitura, o que daria uns 20 CDs. Ficaria muito caro para gravar". Entre o material, estão óperas que têm o sertão como tema principal, referenciadas por ele na reportagem: "Tenho em cima da mesa da minha casa umas dez óperas que venho escrevendo devagar, como "O retirante", "Faviela", "Os lanceiros negros" e "A carta", que chegou a ser montada em Brasília no ano passado" (2004). Também nesse ano, o projeto do catálogo digital, com todas as músicas gravadas e as partituras de Elomar, que fora selecionado pelo Programa Petrobrás Cultural, teve previsão para ser lançado até dezembro.O projeto conta com extensa programação e foi orçado em R$300 mil. Desde 1975, Elomar marca sua presença em palcos por todo o país, como menestrel, ou com orquestras, quintetos, quartetos e outras formações sinfônicas. Fez apresentações na Martinica e na Alemanha. Já recebeu diversos convites para apresentações, na França, Inglaterra, Portugal. Rejeitando a todos por considerar insignificantes as propostas e os cachês.

    Sua vasta produção como compositor, além das canções mais conhecidas, inclui galopes estradeios, canções de alta influência regional, além de óperas e autos já registradas em partituras, ainda não gravadas. A saber:

    11 óperas;

    11 antífonas;

    4 galopes estradeiros;

    1 concerto de violão e orquestra;

    1 concerto para piano e orquestra - composto e a ser partiturado;

    1 pequeno concerto para sax alto e piano - composto e partiturado;

    1 sinfonia - quase toda composta;

    12 peças para violão-solo.

    As composições para violão na maioria já estão partituradas.

    Cancioneiro:

    Um caderno de oitenta canções, sendo que a maioria delas já se encontram gravadas e uma pequena parte inédita.

    Óperas:

    Bespas Esponsais Sertana - São cinco trágicos que se encontram nos seguintes estágios:

    A Carta - ópera com 4 cenas, compostas e partituradas;

    A Casa das Bonecas - composta e 30% partiturada;

    Faviela - toda composta e nada partiturada;

    O Peão Mansador - composta e a ser escrita;

    Os Poetas são Loucos (mas conversam com Deus) - composta em partes;

    Auto da Catingueira - composta, partiturada e gravada em disco.

    Em junho de 2007, sua fazenda, chamada "Casa dos carneiros", localizada em Gameleira, a 20 quilômetros de Vitória da Conquista, tornou-se uma Fundação, com o objetivo de se tornar um centro de pesquisas, com cursos e atividades ligadas à música erudita, ao teatro, à educação e à ecologia e tendo como especialidade incentivar o desenvolvimento dos estudos sobre a cultura nordestina. O projeto foi encaminhado por seu filho, o músico e maestro João Omar, que não concordou com a idéia do pai em vender a fazenda. O projeto também pretende concretizar as idéias de Elomar, entre elas, a criação de uma universidadeleiga sertaneja e uma tutoria experimental da música. A inauguração da Fundação ocorreu com um concerto ao ar livre, no local, com regência de João Omar e participação de músicos da Escola L´rica Mineira e da Orquestra de Belo Horizonte, além das participações dos cantores Xangai, Saulo Laranjeira e Andréa Daltro. O evento também inaugura a exposição "Cenas brasileiras", com réplicas de quadros de Portinari. A idéia já existia entre João Omar e João Cândido, filho do pintor. Com a inauguração da Fundação, os dois somaram as obras dos pais, montando a exposição. Em 2009, foi lançada a transcrição de 49 temas de sua autoria em partituras nos 14 cadernos, incluindo temas como "Arrumação", "Bespa (O auto da catingueira)", "O peão da amarração", "O pidido (quarto canto de O mendigo e o cantador(", "O violeiro" e "Joana Flor de Alagoas". O projeto inclui ainda notas históricas e biográficas sobre ele, de autoria do jornalista João Paulo Cunha. Para o segundo semestre deste ano, foi previsto o lançamento de um DVD com o registro de um show realizado por ele em 2007, na Casa dos Carneiros.

    Resolvido a não lançar mais discos, tem se dedicado mais à literatura, depois de ter lançado, em 2008, o romance "Sertanílias".

    SANHAUÁ - CINEPORT 2009

     


    foto GUSTAVO MOURA.

    Documentário reúne metáforas da vida e da morte nas águas do rio Sanhauá

    Principal rio da cidade  de João Pessoa, o Sanhauá é o personagem central do documentário homônimo que representa a Paraíba no Programa DocTV IV do Ministério da Cultura. Dirigido pelo jornalista e documentarista Elinaldo Rodrigues, o filme com 52 minutos de duração, reúne em co-produção com o autor, a produtora Canário Filmes, TV UFPB e ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais. Na região, o DocTV tem o apoio do Banco do Nordeste do Brasil.

    As gravações em formato digital de alta definição (HD Full) foram realizadas no período de novembro a dezembro de 2008, especialmente nos trechos do rio que banham a região metropolitana de João Pessoa. Destaque para o antigo bairro do Varadouro, onde nasceu a capital paraibana; bem como em comunidades de pescadores e ilhas fluviais ao longo do rio.

    Enfim, Sanhauá transita entre a contemplação lírica do lugar, com sua beleza paisagística, que é uma permanente fonte de inspiração artística e turística, e o registro da precariedade sócio-ambiental que oprime as comunidades locais e a própria natureza.

    Para o autor e diretor da obra, “trata-se de um universo onde se interpenetram figurações do presente, do passado e do futuro, representadas pelos diversos elementos nele constituídos: construções e embarcações primitivas e modernas, manifestações populares, histórias, lendas, águas, memórias, seres, mitologias e imagens atemporais”.

    No contexto das manifestações populares, o filme transita entre o profano e o religioso registrando, por exemplo, a dança do Coco de Roda na comunidade de Forte Velho e a procissão de pescadores (ritual católico realizado anualmente no dia 8 de dezembro), entre o Varadouro e a “Ilha da Santa”.

    A despeito do registro paisagístico, o filme não se detém a uma abordagem meramente descritiva ou didática do ambiente. “O desafio foi desenvolver uma abordagem que tratasse do tema como um símbolo universal, afinal, as águas do rio estão interligadas com outro rio (o Paraíba), que por sua vez deságua no mar; portanto, ele vai além das fronteiras geográficas”, reflete Elinaldo. “Além disso, as condições a que são submetidas o rio Sanhauá são idênticas ao que ocorre em qualquer rio urbano do mundo”, acrescenta.

    Elinaldo ressalta ainda que desde o início, “o projeto foi se delineando no sentido de uma proposta estética e poética centrada nos recursos que são os fundamentos da linguagem audiovisual, buscando uma proximidade com a narrativa experimental”.

    Entre fragmentos de poemas de Bertold Brecht, Lúcio Lins, Políbio Alves e Dante Alighieri, além da acuidade fotográfica, primou-se também pela captação e construção de sonoridades afins com o tema (sons da água, do vento e sonoridades urbanas etc) que realçam o sentido de contemplação ou o mergulho onírico no universo temático.

    Por falar em som, a trilha sonora de “Sanhauá” conta com a obra do grupo Jaguaribe Carne, que tem à frente o multi-artista Pedro Osmar, cujo experimentalismo na criação musical conjuga-se perfeitamente com a proposta do filme. Além das obras pré-existentes do Jaguaribe Carne, o filme conta com o cantor e compositor Parrá, personagem popular do bairro do Varadouro, numa participação ao vivo; bem como o saxofonista Jurandy do Sax, tocando o “Bolero de Ravel” na praia (pluvial) do Jacaré (ritual que ele já repetiu mais de mil vezes durante o por-do-sol).

    Dos personagens escolhidos entre moradores e artistas cujo trabalho está relacionado com o Rio Sanhauá, o foco principal são as ações e pontos de vista sobre o lugar captados na essência dos depoimentos. Entre eles, figuras renomadas como o fotógrafo Gustavo Moura (que também assina o still do filme) e o escritor Políbio Alves.

    O DOCTV é um programa que articula investimentos públicos, produção independente e TVs Públicas. Essa edição teve 54 vencedores, dentre 665 inscrições de 25 estados brasileiros, mais o Distrito Federal.