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    August 26

    ESQUENTAI VOSSOS PANDEIROS JACKSONIANOS II - 2009



    ESQUENTAI VOSSOS PANDEIROS JACKSONIANOS

    Projeto patrocinado pelo FIC tem início neste dia 31  de agosto 2009 em Alagoa Grande 

    Em 31 de agosto de 1919 nascia   nos arredores de Alagoa Grande, no brejo paraibano  um dos maiores ritmistas do Brasil. No aniversário dos 90 anos  de nascimento de Jackson do Pandeiro, a Associação Cultural e Recreativa Anjo Azul sob Curadoria  da TRATO Assessoria e Produção Cultural, dá inicio  a partir desta segunda-feira,  31  de agosto,  as oficinas  de TEATRO do projeto Esquentais Vossos Pandeiros Jacksonianos, especialmente para a população habotante na cidade que acolheu  no nosso REI DO RITMO.

    “Temos como principal objetivo aproximar a nova geração  dessa produção cultural  que cresce,  nas  diferentes vertentes  jacksonianas ¨  diz Ednamay Cirilo - Presidente da Associação Cultural Anjo Azul.

    Como forma de estimular essa aproximação serão realizadas oficinas de teatro, em Alagoa Grande , de  música e artes visuais na  cidade de  João Pessoa.  O projeto surgiu do anseio da Associação Anjo Azul em interligar as cidades de João Pessoa e Alagoa Grande através da obra de Jackson do Pandeiro, preservando assim sua memória .

    As oficinas têm como público alvo artistas, estudantes municipais e iniciantes em teatro, música e artes visuais. “Acreditamos que o contato de forma lúdica com as produções de Jackson do Pandeiro propiciará aos jovens a expansão dos conhecimentos e o interesse por buscar novas informações¨.

    O projeto será  encerrado no mês de novembro, com uma festa em duas etapas, primeiro em Alagoa Grande , uma especie  de revista carnavalesca, e posteriormente em João Pessoa, onde serão apresentados os resultados dos três meses de oficinas  , na sede oficial da Associação Cultural Anjo Azul, localizada no Centro Cultural  de Terceiro   Setor Thomáz Mindello,  tendo a palestra sobre a vida e obra de Jackson do Pandeiro como tema central da noite.
     

    OFICINAS 

    ARTES PLÁSTICAS 

    Tem como objetivo promover o acesso as artes plásticas, como atividade que acolhe e interage diretamente jovens, adultos ,melhor idade. A oficina Jacksoniana buscará  representar a musicalidade do Rei do Ritmo através de telas e estandartes trabalhando cores  e brilho .A creditamos que assim vamos despertar, positivamente, as emoções pela arte dos caminhos    percorrido por Jackson do Pandeiro. 

    Oficineira : Dulce Abstrato

    Artista plástica desde 1997 e oficineira desde 2007. Já participou de projetos  aprovados pelo Ministério da Cultura em OGN´s da cidade de João Pessoa , Itabaiana, Guarabira  e  da cidade de Itabuna-BA. Atuou como oficineira na ASTRAPA, Grupo de MULHERES MARIA QUITÉRIA  e Grupo BIGORNA, localizados no Centro Cultural Terceiro Setor Thomáz Mindello, além  de várias oficinas pela Prefeitura Municipal  de João Pessoa.

    MONTAGEM TEATRAL 

    Proporcionar aos alunos-atores uma vivência teatral completa, desde sua concepção, passando pela preparação do ator, construção do personagem, ética teatral, jogos dramáticos, improvisação, expressão corporal, caracaterização, cenografia, concepção de figurinos, música, linha temática de iluminação, pesquisa e experimentações práticas de grupo. A oficina culminará  na montagem de uma performance teatral/musical intitulada “Rei do Ritmo” em comemoração aos 90 anos de Jackson do Pandeiro. 

    Oficineiro: Netto Ribeiro

    Ator, performático e diretor, Netto Ribeiro é fundador do Ser Tão Teatro e atua na cena paraibana há 10 anos.  Em 2003, conquistou o prêmio de Melhor ator no FESTGUAÇUI – ES. Idealizou, produziu e dirigiu o Projeto 15 Cultural,2006, que teve no repertorio os musicais “Vila Cazuza” e “Ópera do Chico”. Sua trajetória inclui trabalhos no teatro, na teledramaturgia, e em longa metragens como Canta Maria de Francisco Ramalho Junior. 

    Percussão (Pandeiro) 

    O pandeiro tem origem moura e é utilizado nos contextos erudito e popular. Jackson do Pandeiro é um dos maiores nomes da Música Brasileira e soube miscigenar sonoridades múltiplas, trazendo para nossos ouvidos as mais suingadas canções de nosso cancioneiro popular. Nossa oficina trabalhará ritmos brasileiros, fazendo uso do repertório de Jackson do Pandeiro, procurando desenvolver técnicas básicas para o aprendizado do pandeiro, buscando aliar teoria e prática em atividades de canto e execução instrumental. 

    Oficineiro: Ely Porto

    Formado pela Universidade Federal da Paraíba e músico atuante no cenário artístico do estado, já desenvoleu projetos com Cabruêra, Escurinho& Labacé; Os Caba; Mestre Fuba, Cátia de França; Biliu de Campina; As Párea; La Gambiaja; Batuque Quebra-Quilos; Círculo de Tambores; Nação Maracahyba; Maíra Barros e Antônio Barros & Cecéu; ÔdeCasa; Anne Raelly. Composições e Participações em CDs: O Melhor Do Forró no Maior São João do Mundo e Heimatklange Sons da Terra com Cabruêra e As Parêa,XIII MpbSesc,O Som de Todas as Lutas com As Parêa. 

    O projeto foi contemplado no edital 2008 do Fundo de Incentivo a Cultura Lei Augusto dos Anjos (FIC). 
     
     

    OUTRAS INFORMAÇÕES

    anjoazuldobeco@gmail.com

    83.8862 6826

    anjoazuldobeco.ning.com

    Ednamay Cirilo Leite - proponente do projeto

    ASSOCIAÇÃO  CULTURAL E RECREATIVA ANJO AZUL -  REALIZADORA


    TRATO Assessoria e Produção Cultural

    Av. Nego, 200, sala 108, Tambaú (Ed. Esquina 200),

    CEP. 58039-100, João Pessoa / PB

    83 – 3512 6799 / 8710 6799

    anjoazuldobeco@gmail.com83.88626826 



    CONSTRUINDO A I CONFECOM - CONFEREÊNCIA DE COMUNICAÇÃO


     

    O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social reafirma seu compromisso com a construção da I Conferência Nacional de Comunicação, do qual é parte ativa há mais de dois anos, e sua crença de que o campo dos representantes de trabalhadores e dos movimentos sociais deve lutar para que ela tenha caráter amplo e democrático. Consideramos que a posição de setores do Governo Federal em defender 40% dos delegados para o setor empresarial e quórum de 60% para aprovação de propostas contraria esse caráter, e não deve ser aceita. É possível e desejável buscar uma saída negociada para esse impasse, mas não é possível aceitar uma negociação em que só uma das partes cede e em que a proposta inicial é a mesma que a final.

     

    Consideramos importante os setores representantes dos movimentos sociais e dos trabalhadores na Comissão Organizadora Nacional manterem a defesa da proposta da Comissão Nacional Pró-Conferência, aprovada por consenso naquele espaço. Ela contemplava a divisão dos delegados com 20% para o poder público e 80% para a sociedade. No limite, a elaboração pactuada admitia uma divisão que previa 20% para o poder público, 30% para cidadãos e entidades da sociedade em geral e 50% para atores do campo da comunicação, divididos entre 25% para entidades e trabalhadores e 25% para os empresários da área.

     

    A nosso ver, qualquer negociação deve ser feita a partir desta proposta. Assumir a proposta do governo como a proposta possível só contribui para o enfraquecimento da Conferência como espaço de construção de posições legítimas e democráticas sobre políticas de comunicação. Temos compromisso com a realização da Conferência e com a participação neste espaço, mas achamos fundamental que as entidades da Comissão Organizadora Nacional defendam seu caráter amplo e democrático, seguindo as posições apontadas pelas Comissões Estaduais e pela Comissão Nacional Pró-Conferência.

     

    Neste momento de indefinições, os diferentes pontos-de-vista entre as entidades do mesmo campo devem ser vistos com naturalidade e tratados no âmbito da argumentação política, sem desqualificações ou insinuações de qualquer tipo. A despeito de qualquer divergência política, temos absoluto respeito por qualquer posição tomada pelas entidades deste campo. As diferentes avaliações de conjuntura e as decisões políticas tomadas por cada entidade sempre podem fortalecer nossa luta em comum, desde que apresentadas dentro de um espírito de respeito mútuo e de lealdade à construção coletiva. É assim que o Intervozes vem buscando atuar. Qualquer manifestação de associado deste coletivo em direção contrária expressa apenas sua posição individual, não devendo ser confundida com posição institucional.

     

    Saudações,

     

    Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

     

    ENECOS

     

    Carta aberta da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS

     

    A 13 de agosto, representantes do setor empresarial se retiraram deliberadamente do processo de construção da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Retiraram-se sob argumentos de defesa da constitucionalidade no que concerne a princípios como a "livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade". É preciso trazer a público esse debate. A Executiva Nacionald@s Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), bem como outras entidades da sociedade civil não-empresarial, em nenhum momento apresentou relutância quanto aos princípios constitucionais.

     

    Ao contrário do que dizem os empresários, durante todo o processo de construção da Confecom, assumimos para nós não somente os princípios apontados por este setor, como também exigimos a todo custo outros que também constam na Constituição de 1988. Exigimos a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal, o respeito e a promoção dos direitos humanos, a garantia de mecanismo de controle público sobre os meios de comunicação. Consideramos a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como uma conquista histórica do povo brasileiro, que pela primeira vez poderá participar da elaboração das políticas públicas no setor da Comunicação.

    A ENECOS entende a saída dos empresários como uma falta de compromisso com o processo democrático que caracteriza essa Conferência. Desde o início dos trabalhos desempenhados pela Comissão Organizadora Nacional (CON), o empresariado se mostrou relutante em discutir questões do controle público e social dos meios de comunicação, defendendo uma Conferência que somente problematizasse o atual processo de digitalização pelo qual passa o setor de radiodifusão. Vemos essa retirada como mais um artífice na tentativa de impedir a livre realização da Confecom.

     

    Ainda assim, reconhecemos a importância do setor empresarial para que de fato a Confecom seja um espaço plural, com debates abertos e democráticos. E por defender isso, exigimos que as 8 entidades da CON que estão representando a sociedade civil, sigam as deliberações da Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação (CNPC). No entanto, não nos furtamos da legitimidade e da legalidade do processo enquanto marco para a formulação de políticas públicas para o campo das comunicações.

     

    Há dois anos, a CNPC vem exigindo a realização desta Conferência,  
    organizando e mobilizando diversos outros movimentos sociais, com isso proporcionando um debate amplo em 23 estados mais o distrito. Acreditamos, portanto, que a realização da Confecom é uma conquista do movimento pelo direito à comunicação, e não uma cessão dada pelo atual governo federal.

     

    A ENECOS não aceita que este governo se sinta ameaçado e fique acuado as chantagens empresárias, como na proposta de proporcionalidade de delegados, onde estariam reservadas 20% das vagas para o governo, 40% para as entidades sociais e 40% para o setor empresarial. Não vemos motivo plausível para que este último setor tenha garantido, preliminarmente, 40% do total de delegados da Confecom. Atentamos para a total ausência dos empresários nos processos estaduais das Conferências e questionamos: qual a legitimidade deste setor se o mesmo não tem se envolvido nas etapas regionais e, agora, se retira da nacional?

     

    Não concordamos, também, em absoluto, com a exigência de quorum mínimo qualificado de 60% para aprovação de questões sensíveis, sugerido pelo governo. Achamos que tal medida inviabilizaria a tirada de resoluções, atravancando o processo democrático e permitindo que a conferência se torne apenas um evento de fachada.

     

    Sendo assim, a ENECOS enxerga como caminho viável a tiragem de delegados em proporção de 80 % sociedade como um todo (empresarial e não empresarial) e 20% governo, acreditando que este é o caminho mais democrático e plural pelo qual a conferência poderá acontecer.

     

    Exigimos a imediata aprovação do regimento interno, e devemos considerar que já existem estados que estão realizando suas conferências, e o governo ainda não decretou o regimento da nacional. É um absurdo. Defendemos por fim o retorno dos 8,2 milhões de reais originalmente destinados à Confecom, cortados por arbitrariedade do governo. Entendemos que o processo de conferência não se realiza com o atual montante destinado (1,6 milhões), dada a proporção que essa conferência visa atingir. Mesmo que o governo sofra com os cortes de recursos, pois achamos inadmissível a liberação de dinheiro para banqueiros se salvarem da crise, assim não podendo aceitar que o corte tenha que vir exatamente em cima de um processo que visa o fortalecimento do dialogo, da democracia e da pluralidade no país.

     

    Acreditamos e lutamos por uma Conferência Nacional de Comunicação, ampla e plural, por isso vamos continuar na mobilização e na organização, e enfatizamos para que outras entidades da sociedade civil continuem seus processos de mobilização, pois somente com a nossa organização coletiva, iremos conquistar mais essa vitoria para toda a sociedade.

     

    Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social 

     
     
    Posição da Confecom Paraíba
     
    A Comissão Pró-Conferência de Comunicação da Paraíba reunida segunda, dia 24, debateu a proposta de representação de delegados e o quorum qualificado, chegando ao seguinte entendimento:
     
    A proporção 40/40/20 para a distribuição de delegados não corresponde à real representação desses segmentos na sociedade, conferindo um percentual desproporcional ao setor empresarial. Que ceitar o quórum qualificado de 60% para aprovação de qualquer proposta, ou mesmo das propostas mais polêmicas, é ‘engessar’ previamente a I Confecom.
     
    A Confecom-PB sugere que seja levada à mesa de negociação a proposta de observação  dos percentuais de representação de delegados e do quorum adotados noutras conferências.
     
    Mas, reafirma a importância da realização da I Confecom, e deposita total confiança nos companheiros da Comissão Organizadora Nacional no sentido de realizarem a negociação possível para concretizá-la.
     
    Comissão Pro Conferência de Comunicação Paraíba.
     
     

    August 23

    AUDIÊNCIA PÚBLICA DEPUTADO RODRIGO SOARES DO PT PARAHYBA

     
     
    PLENÁRIA DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA, AUDITÓRIO MARIZ  LOTADO PARA  A CRIAÇÃO DA SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO DA PARAHYBA .
     
    ARTISTAS E PRODUTORES CULTURAIS  DA SOCIEDADE CIVIL E SETORIAIS ESPECIFICOS.
     
    Ednamay , Augusta, Michael, Ivaldo  entre outros,
     
    19 de agosto 2009.
     
     
     
    SECRETARIO DO MINc PELA  DIVERSIDADE , AMÉRICO CÓRDULA
    DEPUTADO ESTADUAL  -  RODRIGO SOARES PT
    PRESIDENTE IPHAN - ELIANE
     
     
     
     
    EDMILSON CANTALICE  FALA   DA IMPORTÂNCIA DE NOSSA SECRETARIA DE CULTURA DESVINCULAR-SE DA  SECRETARIA DE EDUCAÇÃO  E CAMINHAREM JUNTAS
     
     
    MÍIDIA  E SETORAIAL DE CULTURA DO PT PARAHYBANO  - LÚCIO FIGUEIREDO

    PRODUTOR CULTURAL IVALDO GOMES

     
    Sistema Nacional de Cultura e a Paraíba
     
     
                                            Ivaldo Gomes
     
     
     
    Participei ativamente do Seminário Nacional de Cultura realizado no Espaço Cultural nesses dias de 20 e 21 do corrente mês. Foi um seminário corrido mais estimulante em termos dos temas tratados. Gosto de ver uma discussão tomando forma, mesmo depois de uns vinte anos de discussão, mas sendo explicitada e pautada pela discussão, acúmulo de conhecimento e por um consenso de interesses convergentes. Agora - de fato - temos um plano. Um roteiro para o equacionamento dos problemas e das soluções para a cultura no Brasil. Claro, isso sendo colocado como questão de planejamento, de estratégia. Pois a cultura brasileira será sempre sem eira e nem beira, sem cabresto e sem cercados. Apesar dos feudos, o exercício libertário da cultura não tem limites. O limite é a criação. Está de parabéns o Ministério da Cultura por tamanha envergadura de trabalho, com uma equipe tão reduzida e ainda mal paga. Mas o mundo vai mudar. Acredite.
     
    Quanto a Paraíba, lamentamos informar que estamos entrando no Sistema Nacional de Cultura, por livre e espontânea pressão dos acontecimentos. Pois a Paraíba resiste às mudanças no trato cultural. Por mais que se explicite – e já se vão bons vinte anos – a Paraíba vai fazer sua ‘reforma’ cultural na base da pressão das evidências e das mudanças no trato do entendimento da gestão pública cultural. Ou o Estado da Paraíba e sua governança criam a Secretaria Estadual da Cultura; Reformula o Conselho Estadual da Cultura; Define recursos no orçamento para o Fundo da Cultura; além da realização da sua Conferência Estadual da Cultura ou ficará de fora do Sistema Nacional de Cultura. É uma questão de opção. Mas é bom lembrar que o Governo da Paraíba - nesses últimos dez anos - já poderia ter feito isso de forma mais conseqüente e não o fez. Agora terá que fazê-lo sob pena de ficar de fora da discussão e da organização que o Sistema Nacional de Cultura criou.
     
    Resta-nos não procurar culpados, mas propostas para melhoria do setor cultural da Paraíba. Uma Paraíba que precisa, inclusive, ser reconhecida por si mesma. A cultura produzida pelos paraibanos deve ser circulada na Paraíba. E isso é uma tarefa de ontem. Pois nesse setor cultural estamos atrasados em relação aos nossos estados vizinhos, por exemplo. No carnaval de Olinda e Recife foram gastos esse ano algo em torno de cem milhões de reais das Prefeituras de Olinda, Recife e Governo Estadual. Aqui em João Pessoa o nosso Folia de Rua não deve ter arrecadado quinhentos mil reais esse ano. Nos últimos dez anos talvez chegue a dez milhões de reais os investimentos que o Estado da Paraíba fez efetivamente em cultura. E isso praticamente nós últimos cinco anos. Portanto, o tempo ruge. Pois estamos atrasados em nossa tarefa de casa.
     
    Não poderíamos sair de um seminário como esse sem um norte, uma direção. E fizemos de publico uma proposta para que o Governo do Estado, com a participação efetiva do MINC e das prefeituras, promovam antes da Conferência Estadual um Fórum para discutir uma pauta de quatro pontos: a) Que modelo de Secretaria da Cultura queremos e com quais condições; b) Reformulação do Conselho Estadual da Cultura com a participação paritária da sociedade; c) Definição de um percentual do orçamento estadual para ser aplicado no Fundo de Cultura e d) preparação da Conferência Estadual da Cultura que deve acontecer antes do dia 15 de dezembro de 2009 para todo o Brasil. Sugiro que o Fórum de discussão dessas questões aconteça nos dias 23 e 24 de outubro vindouro no Espaço Cultural. E me ofereço pra ajudar no que for possível.  
     
    August 05

    PARRÁ - A ELEGÂNCIA DO RITMO

    Parrá – a elegância do ritmo.




    Lau Siqueira

    A boemia pessoense ainda preserva seus mais alinhados personagens. Principalmente no anonimato turbulento das ruas da Cidade Antiga. Na Ladeira da Borborema guardamos boas memórias do poeta Manuel Caixa D’água. Nos escambos temporais deste início de século, ainda há quem nos faça sonhar com a velha Parahyba do Norte - “morena brasileira”. A eterna Cidade das Acácias. Um lugar onde os sagüis pululam pelos resquícios da Mata Atlântica e onde as prostitutas retomam o simbolismo histórico da luta pelo reconhecimento da profissão. Assim a cidade vai se organizando politicamente no movimento das águas e dos tempos. Convulsionando uma urbanidade que nasceu nas margens de um rio para desaguar nas memórias do futuro.
    Foi numa cidade assim, ali no Roger - mais exatamente na Rua Anísio Salatiel número 60 - que nasceu Severino Ramos de Oliveira. Isso foi no ano de 1938. Ainda na primeira infância o irmão lhe conferiu o apelido de Parrá, sem saber que estava realizando um batizado artístico. Nascia um personagem da cultura de uma cidade absorvida, naquele momento, pela era do rádio. Um tempo em que as ondas médias e as ondas curtas determinavam o todo poderoso veículo da comunicação popular. Um talho de modernidade no provincianismo de uma cidade que presenteou o Brasil e o mundo com personalidades importantes da cultura brasileira. Como o cidadão do mundo, Ariano Suassuna. Um litorâneo de alma sertaneja. Um homem que trafega sua existência nas raízes da expressividade cultural do povo nordestino. Tudo dentro de uma rotina de invenções. Numa plasticidade de cores e ritmos. Elementos para o cenário de uma vida dura que gerou a alma delicada dos seus artistas.
    Parrá representa o glamour e o estigma de uma geração que construiu os maiores referenciais da chamada Música Popular Brasileira. Na verdade, uma geração que abriu as comportas para o nascedouro da MPB enquanto conceito, dentro da universalidade natural da música de qualquer região do planeta. Um tempo de grandes ritmistas como Jackson do Pandeiro que esteve para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, na mesma proporção que Parrá esteve para a época de ouro da Rádio Tabajara, aqui na Paraíba. Com absoluta convicção do seu destino, Parrá soube traçar (na base da “marmota”, tantas vezes) os seus próprios caminhos. Sempre com a simplicidade de um homem que fez da música a sua forma de transcendência no tempo. Preservando-se enquanto menino, em cada leitura do mundo que o cerca. Tudo isso compõe o inventário de uma vida que não guardou espaços para a tristeza, mesmo que estas tenham sido tantas e muitas vezes, tão profundas.
    Parrá está situado na história da música nordestina, entre os grandes nomes do seu tempo. É certo que não teve o seu trabalho reconhecido lá fora, principalmente no vigor da juventude. Até porque muito pouco saiu da Paraíba. Principalmente porque nunca saiu do Nordeste. Somente este detalhe apartou o cantor de um reconhecimento público muito semelhante aos artistas que foram consagrados nacionalmente pela mídia, abrindo os olhos do país para a efervescência cultural da Paraíba. Mesmo assim, Parrá influenciou e influencia as novas gerações de músicos paraibanos. Com sua elegância, com suas convicções estéticas, com suas marmotas, com sua alegria perene e sua dignidade. Ele faz parte de um grupo seleto que reúne nomes como Livardo Alves e outros que, mesmo sem sair da cidade, conseguiram uma consagração e um reconhecimento raro para os chamados “santos de casa”. Parrá não é e nunca foi santo. Todavia, está na área e “obra milagres” - como se costuma dizer por aqui - com a inventividade da sua arte. Sua natureza é criativa e musical. Um artista que soube eternizar-se na memória da cidade. Seja pela sua simplicidade conjugada com sua irreverência, mas principalmente pelo seu inquestionável talento e pela organicidade da sua atividade intelectual.
    Logicamente que se torna um tanto quanto redundante ressaltar as influências jacksonianas. Aliás, essas influências do grande mestre de Alagoa Grande chegaram também para Alceu Valença, Zé Ramalho, Lenine, Zeca Baleiro, Chico Cesar e até mesmo aos roqueiros conterrâneos do Rei do Ritmo da banda Jackson Envenenado, de Alagoa Grande. Mas, com Parrá, foi diferente. Não se trata apenas de uma influência. Trata-se da absorção geral de todos os mimos, trejeitos, manejos e traquejos de uma tradição rítmica bem nordestina e, sobretudo, genuinamente paraibana. Algo que esteve representado na existência artística de Jackson, mas que também está em Parrá, Biliu de Campina e outros artistas importantes desta terra de grandes artistas. Este é o diferencial que coloca o nome de Parrá sempre na vanguarda quando o assunto é Jackson do Pandeiro. E é exatamente isso que diferencia o nosso Severino Ramos de Oliveira. Não seria ele um cover do mestre. Falando assim, num tom bem nordestino, o morador da Rua Anísio Salatiel número 60, no Roger, seria a mais perfeita “parêa” musical e existencial do velho Jackson do Pandeiro.
    Na cena musical contemporânea do Estado, o cantor e compositor ainda resiste ao lado de grupos como Burro Morto, Chico Correa, Cabruêra, cantores como Escurinho, Erivan Araújo e Gláucia Lima que, com certeza, souberam e sabem beber na fonte inesgotável que é a musicalidade deste artista cujas levadas e cujo suingue transpiram no cotidiano da cidade, de onde ele sempre arrancou o barro, o fogo e a água, para esculpir canções que marcaram a história musical do Nordeste. A musicalidade de Parrá está muito mais viva que nunca!
    Em 2006, na festa de aniversário da cidade, a homenagem foi para Jackson do Pandeiro. As escolhas da Fundação Cultural de João Pessoa não poderiam ser mais exatas. A Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa, criada e regida pelo maestro argentino radicado na cidade, Gustavo de Paco, tocou 11 músicas de Jackson. Todas interpretadas de forma impecável pelo irreverente Parrá. Um show de competência e identidade cultural. Na verdade aquele show representou certo redimensionamento da relação entre a música erudita e a música popular. Naquele momento, Parrá se mostrava digno da consagração na memória do seu povo. O público cantava entusiasmado os sucessos de Jackson, como se o show fosse com o próprio. O Canto da Ema, Sebastiana, Um a Um, Forró em Limoeiro e outras. Naquele momento Parrá selava em sua carreira um reconhecimento que vinha sendo, injustificadamente, sonegado. Em um show realizado anteriormente, no São João, ele fez uma declaração pública que vale como alerta para os gestores de cultura que não se preocupam com a preservação da memória dos seus artistas: “eu estava morto e vocês me ressuscitaram”, disse Parrá. Na verdade, Parrá, a cidade é que andou entorpecida, desmemoriada, fora do eixo... Você representa o espírito e o corpo de uma cultura que não se rende, independentemente da sensibilidade de quem a governa. Uma cultura de resistência que transita soberanamente entre a tradição e a modernidade.

    Postado por lau siqueira às 17:27 0 comentários Links para esta postagem
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    Lau Siqueira soy yo! Nasci em Jaguarão, no coração do Pampa gaúcho... E continuo nascendo na Paraíba, onde resido há pouco mais de duas décadas. Todos os dias eu acendo um Sol dentro de mim. Todos os dias eu frequento as quatro fases da Lua. Tenho duas filhas, uma neta, quatro livros publicados, participação em antologias e antropofagias. Poemas musicados. Rabiscados, também. Gosto de dizer que nasci ontem, mas que sou muito antigo. Escrevo poemas pra disfarçar meus escudos. Fui!
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