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September 22 PARTÍCULA DE DEUS - PALESTRA ECCARTE-CABO BRANCONO SÁBADO
'Partícula de Deus' é tema de palestra na Estação Ciência
'Do Átomo à Partícula de Deus' é a temática da palestra a ser proferida na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, no próximo sábado (20), pelo professor doutor em Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Carlos Antonio de Sousa Pires. A atividade faz parte do programa 'Difusão e Popularização da Ciência - Ciências aos Sábados', e começa às 16h na Sala de Audiovisuais, no 2º andar da torre do complexo arquitetônico localizado no Altiplano Cabo Branco. A entrada é franca para todos visitantes.
'A Partícula de Deus' ou o 'Bóson de Higgs', talvez o último elo que falta para confirmar a teoria mais aceita sobre a formação do universo, o chamado 'Modelo Padrão', é o assunto principal que o professor Carlos Pires (especialista em Teoria Geral de Partículas e Campos) irá abordar na sua apresentação.
Ele vai falar sobre o provável acionamento, ainda este ano, do super acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider), considerado o maior empreendimento científico e tecnológico do mundo. Trata-se de uma imensa construção de 27 km de circunferência, enterrada a 100 metros de profundidade e instalado entre as fronteiras da Suíça e da França, cujo objetivo é provocar a colisão de partículas subatômicas em velocidades e energias altíssimas, tentando entender de que é feita a matéria e como ela se comporta.
Na avaliação do professor, a 'Partícula de Deus' vai confirmar tudo que já foi descoberto. "Para mim, o Bóson de Higgs existe e se ele não existir deve haver alguma coisa muito similar. Ele irá cumprir seu papel com respostas sobre a natureza", concluiu.
Difusão da ciência
A Estação funciona de terça-feira a sexta-feira, no horário das 9h às 17h, e sábados e domingos, das 10 às 18h. As visitações de escolas do município de João Pessoa e do interior do Estado, entre outros grupos, são precedidas de agendamento. Mais informações pelo telefone 8860-0678. September 14 Falando sobre El Valle de los Reyes al anochecer
O Vale dos Reis, ou Wadi el-Muluk (وادي الملوك) em língua árabe, é um grande vale montanhoso no Egito onde, por um período de aproximadamente 500 anos foram construídos tumbas para os Faraós e nobres importantes do Antigo Egito (entre a XVIII e a XX dinastias). O Vale dos Reis localiza-se na margem ocidental do Nilo, oposto a Tebas (atualmente Luxor). Está separado em duas zonas, vale ocidental (West Valley) e vale oriental (East Valley), com os mais importantes túmulos no vale oriental. Só quem já esteve no Vale dos Reis, para dizer como é especial a energia que se sente. boas lembranças May El Valle de los Reyes al anochecer Falando sobre El Ojo De HorusOLHO SAGRADO El Ojo De Horus EILZO MATOS PENSA E ESCREVEENFIM, O FIM DE RICARDO Eilzo Matos
A "Era Ricardo" chega ao fim. Graças a Deus. Ruim para os que não podem viver sem ele, melhor para os que conhecem a ameaça que ele representa. Para mim, ele está simplesmente, entre os fenômenos que abomino: os de mau agouro. Mas me ocupo em outras coisas, e cutuco aqui e ali, recorro à força dos orixás, pois o caso dele não é problema da alma, é do caráter. E o remédio é: pra doença médico, pra pecado sacerdote, pra vício do caráter catimbó. Outros recomendam polícia. Ora, “ele criou um sistema de relações pessoais e interesses que formaram uma cultura política perversa”. Delicia-se duvidando da democracia, como o faz com a “Coligação Cano de Esgoto” – via de escoamento dos dejetos morais da política paraibana. Os seus integrantes, via de regra, ou são réus, ou citados e envolvidos nos arquivos da Polícia e Justiça Estadual e Federal, como pessoas de mau procedimento, nas esferas pública e privada – delinqüentes. Ou beneficiados com ofertas generosas, feitas por Ricardo à custa da prefeitura da ca-pital. Ricardo foi eficaz na construção do seu nome. Tudo com informações mentirosas, e cenas de conduta dissimulada. Não farei no momento a lista dos fatos que o incriminam. São muitos. Tenho uma relação de denúncias que o envolvem e a sua administração, guardadas no meu PC, e as usarei quando necessário. A menor delas, o apelido de “mago”, para passar a impressão que é magro como um desnutrido trabalhador, ou mágico para transformar coisas. Aconselho aos que proclamam tal aptidão, ver onde ele come e as fichas dos processos: come em restaurante de luxo, e é réu em processos por crimes administrativos, por ele praticados. São gravíssimas as denúncias contra Ricardo. Por enquanto, não é preciso outra fonte que as indicadas, feitas no “horário eleitoral”, que desmascaram a sua alardeada lisura. Uma ou outra vez ocorre um “pedido de resposta”, e por pura esperteza, estes, entretanto, em fatos sem maior destaque entre os seus atropelos morais. Como anunciei em texto passado, ele representa um desastre histórico que podemos e devemos contornar. Aquela “asa de corvo carniceiro, asa agoureira” aquela “pele de rinoceronte” estendida sobre a sociedade. Algo como Hitler e Stálin. Em suma, um político que disputa o poder com métodos de bandoleiro e agressividade de assaltante, para quem as palavras não têm valor, a verdade não se distingue da mentira. Vade retro!
............................................................................. Sertão, setembro 2008 ELE NÃO SABE LER ( LULA)"Ele não sabe ler"
Por Agnaldo Almeida Toda essa divergência decorre, salvo engano, da circunstância de que estes amigos, quase todos letrados, formados e integrantes da chamada “classe média brasileira”, não se sentem bem tendo como presidente da República um homem que, sem ter ralado nos bancos escolares, acabou chegando ao principal cargo político do país. Eles, na verdade, não admitem a possibilidade de alguém, sem um alentado currículo escolar, chegar a ter sucesso numa seara tão complicada como a política. Por mais que Lula prove a sua competência e dê sinais de vir se transformando num dos grandes presidentes brasileiros, sempre contra-argumentam: “Mas não sabe ler!”. Eu também acho que Lula não sabe ou não gosta de ler. Mas não costumo brigar com os fatos e, ao contrário dessas opiniões, me quedo a uma avaliação positiva do atual governo, sobretudo, se esta avaliação se concentra no que a gestão Lula tem feito em prol das camadas mais carentes da população brasileira. A notícia divulgada na sesta-feira passada pelo insuspeito instituto Datafolha, diz o seguinte: “Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Lula quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Mais de 64% da população considera seu governo ótimo ou bom. Já era dele, Lula, o recorde anterior, que o colocava na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização". A crítica ao presidente Lula, que o desqualifica por não possuir diploma universitário, lembra Lima Barreto. No “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, diz o escritor, ao traçar um dos perfis mais irônicos sobre o bacharel brasileiro: “Não se imagina o rebuliço que tal coisa foi causar lá. Que língua era? Consultou-se o doutor Rocha, o homem mais hábil da secretaria, a respeito do assunto. O funcionário limpou o pince-nez, agarrou o papel, voltou-o de trás para diante, pô-lo de pernas para o ar e concluiu que era grego, por causa do "y".O doutor Rocha tinha na secretaria a fama de sábio, porque era bacharel em direito e não dizia coisa alguma”. Também sobre este tema, é bom de ver o que, em termos de ficção, escreveu o advogado e mestre em Direito Paulo de Bessa Antunes, que escreve no site “O Eco”: “Era uma vez, há muito tempo, em um lugar muito longe daqui, um País de Bacharéis. Lá, nada acontecia, nada se passava se não fosse intermediado pelos bacharéis. Na linguagem popular, termos como data vênia, meritíssimo, rebus sic stantibus, propter rem e outros, eram expressões coloquiais que, à moda de interjeições, freqüentavam papos nos botequins e cafés daquele feliz país, no qual reinavam os bacharéis. Alcançar o bacharelato era entrar em uma casta que gozava as maravilhas do Nirvana intelectual, pairando sobre os meros mortais. O chamado “bacharelismo” era uma das mais arraigadas tradições daquela nação que, de tão forte, acabou se transformando no próprio nome do país: República Federativa dos Bacharéis. Aliás, eu mesmo, como Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, sinto uma profunda depressão por não ser cidadão daquele maravilhoso país, no qual gozaria das benesses de participar da classe dirigente”. É uma ficção, como se vê, mas é sobre o Brasil que Bessa está falando. Sobre o Brasil de antigamente e sobre o Brasil de hoje. Contra todas as evidências, numa briga inglória contra os fatos, a elite bacharelesca do país não aceita que um semi-alfabetizado esteja a ocupar o mais alto cargo da república. Não importa que ele quebre recordes, que possibilite a economia crescer num trimestre mais de seis por cento, ou que seja portador de boas notícias como a descoberta de jazidas de petróleo. Não importa nem mesmo o fato de ter reduzido o quadro de fome no país. Para os seus críticos mais ferozes, o que importa mesmo é tão somente o fato de ele não ter ralado nos bancos da universidade. Ou seja, o fato de não ser, como convém a uma ex-colônia portuguesa, portador de um diploma de nível superior. Os resultados das pesquisas mostram que meus amigos estão na contramão da história. Mas isso não os diminui em nada: só aumenta a convicção de que o Brasil vai ficando, certo ou erradamente, cada vez mais plural. September 10 FRANCISCO DE OLIVEIRA concede entrevista a JALDES e CIDA MENESESFrancisco de Oliveira: a razão crítica contra o cinismo dos sem-razão Entrevista concedida aos professores Jaldes Reis de Meneses (DH-UFPB) e Maria Aparecida Ramos (DSS-UFPB) Trata-se de um truísmo afirmar que o professor Francisco de Oliveira, Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP) é hoje um dos principais intelectuais brasileiros. Autor de uma respeitável obra de estudos sociológicos, hoje clássicos, tais como Elegia para uma re(li)gião (1977), A economia da dependência imperfeita (1989), Os direitos do antivalor (1998) e o recente e polêmico artigo O ornitorrinco, incluído no volume Crítica à razão dualista/o ornitorrinco (2003), aos 74 anos, o professor mantém-se ativo, repleto de compromissos e com uma produção intelectual intensa de quem não fica parado e pensa as questões atinentes ao Brasil e à evolução recente do capitalismo em tempo integral. Dotado de imensa coragem e independência crítica, filiado em suas origens mais antigas a Celso Furtado, com quem compartilhou a direção intelectual da SUDENE antes de 1964, é impressionante a capacidade renovação do pensamento de Chico de Oliveira. Sempre munido da razão crítica contra o cinismo dos sem-razão, estamos diante de um pensamento em movimento, irônico e curioso, que se vale com rigor e sem preconceitos de vários matizes intelectuais, talvez para surpresa dos dogmáticos – acostumados à macaqueação como meio de sobrevivência –, num escopo que vai, por exemplo, Antonio Gramsci, Walter Benjamin e Jurgen Habermas a Michel Foucault. Sobretudo, Chico de Oliveira vai beber nas lições metodológicas da crítica da economia política de Marx, a qual renovou na formulação da teoria do antivalor, injetando política onde muitos conseguiam divisar somente uma espécie de movimento automatizado do capital. Lênin estava correto ao afirmar que o imperialismo significava a fusão do capital comercial e industrial (o mercantilismo e a revolução industrial, amalgamados), gerador de um novo tipo de capital financeiro e uma cúpula de poder, a oligarquia financeira. Ainda assim, distraído, relevou, nesta escalada de poder, o ápice de tudo, o banco central e o Estado, conforme acabamos de assistir no episódio de tentativa de salvação, da parte do FED e do governo Bush, das duas grandes casas de hipotecas imobiliárias norte-americanas. Eis o antivalor em ação. Alguma pessoa em sã consciência pode negar a existência de duas grandes poéticas em Marx? Uma primeira contida na crítica da economia política; e a segunda, nos estudos históricos sobre a França revolucionária novecentista. Antevimos, assim, a uma alegoria: o Shakespeare de O mercador de Veneza no Marx de O capital (economia política); bem como no Marx o de 18 brumário de Luis Bonaparte (estudos históricos e políticos) elementos da escritura do poder desvelada em um Macbeth – mas podia ser Hamlet ou qualquer das fábulas políticas shakespearianas. A sinfonia de sonhos, máscaras e espectros do teatro elizabetano do século XVI, foi reeditado em Marx como metáfora do jogo político na luta de classes. Os personagens vão se reinterpretando. Por seu turno, Chico de Oliveira faz uso magistral de ambas as poéticas marxianas, denso e elíptico como João Cabral de Melo Neto e Graciliano Ramos. Mais vale a síntese da razão crítica que ilumina. Na presente entrevista, podemos ler em Chico de Oliveira o fino analista da conjuntura, empenhado em análises dos principais acontecimentos da hora presente. Nas respostas às nossas perguntas, sentimos algo como uma ressonância da atitude desmistificadora de O 18 brumário, no tocante à análise das forças políticas em presença. Marx foi escritor de obras primas e formulador de uma teoria política realista, numa autêntica analítica das relações de força, fundamentada no preceito de que as lutas políticas são os resultados da evolução das lutas de classes, mesmo quando estas parecem se eclipsar, com acontece atualmente. Acostumado aos ventos e trovadas na aventura de compreender um país de história complexa e original como o Brasil, igualmente ao mouro alemão, Chico de Oliveira é ciente da dura materialidade dos enfrentamentos sociais, e que por trás da conciliação – lição de Walter Benjamin –, na verdade, se esconde a derrota, contudo, na mesma cápsula, pode-se divisar a memória dos oprimidos. Enfim, um clássico do pensamento brasileiro. (Jaldes Reis de Meneses e Maria Aparecida Ramos). Pergunta – Caro professor Francisco de Oliveira, em seu instigante artigo “Política numa era de indeterminação” (publicado no livro “A era da indeterminação”, editora Boitempo, 2007), o senhor faz uma periodização do século XX brasileiro, desde principalmente 1930, como um período de “internalização das decisões” (Celso Furtado) que resultou em um momento derradeiro (a assim chamada “Nova República”, 1985-1990) em que pareceu que tínhamos um sistema político assentado num jogo de adequação de interesses, classes e representação política. De repente, tudo isso se esfumou. No Brasil de hoje (2008) se vive, ainda, uma “era da indeterminação”? Qual a governabilidade da “indeterminação”, se por paradoxo é possível? Resposta - Creio que a indeterminação já se resolveu, ou pelo menos, seguindo uma sugestão de Vladimir Safatle em seu recente “Cinismo e a Falência da Crítica” (São Paulo, Editora Boitempo, 2008), estamos numa estabilização da indeterminação. Isto quer dizer que esta fase é marcada pelo que estou chamando “Hegemonia às Avessas”, (leiam meu artigo na revista Piauí, número 04 janeiro de 2007, páginas 56 e 57). Isto quer dizer que os dominados controlam a “pequena política” – para você, Jaldes, um cultor de Gramsci, isto é conhecido – desde que ela não afete os grandes interesses do capital, ou a “grande política”. Mas esta condução da “pequena política” é o avesso da hegemonia, pois vai na direção contrária a qualquer projeto de classe. É uma regressão política, na verdade. Creio que é uma forma de dominação periférica própria do capitalismo globalizado, e a meu juízo, ocorre também na África do Sul, onde o apartheid foi derrotado no plano da política, mas continua dominante no plano da economia. Lula é o Mandela do Brasil. Aos dominados, a política, como divertissement, e aos dominantes, o controle da economia. Mas não é tão simples, pois uma fração dos dominantes hoje provém dos dominados, que chamei uma “nova classe” no O Ornitorrinco (Crítica da razão dualista/o ornitorrinco). Como se vê, continuamos a inventar. Pergunta – Em recente programa de televisão alusivo aos 90 anos de Antonio Candido, o senhor afirmou que a geração de autores como o próprio Candido, Caio Prado, Florestan Fernandes, etc., são “pontos de partida” e não “de chegada” na compreensão do Brasil. Como é possível chegar a algum “ponto”, em termos de espaço nacional brasileiro, diante da internacionalização da economia? Resposta - Eles são pontos de partida, porque é a partir daí que temos que avançar na compreensão do Brasil. Não são mais pontos de chegada, por exemplo, com Celso Furtado: a globalização redefiniu os termos entre periferia e centro, por isso a teorização de Furtado não pode ser entendida como uma radiografia do Brasil de hoje e de sua inserção no sistema internacional. A partir de sua “internalização de decisões”, que foi o auge do “subdesenvolvimento”, podemos partir para entender a extroversão das decisões, mas não podemos nos contentar com as recomendações de política que decorriam do “subdesenvolvimento”. Com os outros grandes teóricos, passa-se mais ou menos o mesmo, talvez menos com Antonio Candido, pois como sabemos as mediações de sociedade, Estado e sistema econômico são mais complexas, e qualquer reducionismo aí é muito perigoso. Florestan pode ser entendido na chave também do “ponto de partida”, mas sua interpretação sobre a ausência de “revolução burguesa” no Brasil, em chave parecida com as dos nossos Carlos Nelson Coutinho e Luis Werneck Vianna, deve ser repensada, pois no capitalismo globalizado já não se faz necessária que a burguesia nacional seja revolucionária. Aliás, se a “hegemonia às avessas” tem alguma qualidade como “provocação teórica”, está exatamente em que a globalização utiliza as “energias utópicas” (Habermas) dos dominados para a nova forma de dominação. Pergunta – Tivemos dois anos de crescimento econômico no Brasil. Sobrevém atualmente uma crise econômica internacional, com fulcro nos Estados Unidos. Diante da conjuntura, como se projetam as dificuldades no governo brasileiro, doravante? Resposta - Pode-se produzir “descolamento” entre a crise nos USA e também na Europa, e a expansão capitalista no Brasil. Estamos nos especializando em comodities, além de que convém insistir em que a dinâmica capitalista na China e na Índia supre as demandas de outras regiões. A crise norteamericana, que é sobretudo de caráter financeiro, não necessariamente afeta as comodities. Já se produziu algo parecido na crise dos anos 30: enquanto o capitalismo central mergulhava em recessão, a economia brasileira cresceu. O problema, desta vez, é que o financiamento da acumulação de capital no Brasil se extroverteu, e então uma crise financeira pode nos afetar gravemente. Pergunta – Na esteira das antigas e polêmicas digressões de Rui Mauro Marini, enunciadas em Dialética da dependência (México, Editora Era, 1977), ainda na década de 70 do século passado, alguns vizinhos brasileiros (Bolívia, Paraguai, e mesmo a Argentina, entre outros) voltaram a falar em um “sub-imperialismo” brasileiro. Realmente, os investimentos estatais e empresariais brasileiros têm crescido nesses países. Como analisa a questão? Resposta - Creio que Rui Mauro Marini previu corretamente a trajetória do capitalismo brasileiro e suas relações com a América do Sul. Na época, apenas Itaipu anunciava sua tese; agora, a Petrobrás controla 15% do PIB da Bolívia. Isto é uma empresa dentro de um Estado ou um Estado dentro de uma empresa? Até o governo brasileiro tem medo da Petrobrás: a discussão atual sobre o Pré-Sal mostra que o governo não controla mais sua principal empresa. Parodiando Paul Baran [1910-1964], em conferência no Recife, que nunca foi divulgada, não é o governo brasileiro que controla a Petrobrás, mas é a Petrobrás quem controla o governo brasileiro. Perto disso, o imperialismo das antigas grandes “sete irmãs “ do petróleo é brincadeira de aprendiz. Pergunta – Face à ciclotimia das posições do Brasil na “rodada de Doha” da OMC (começou com posições alinhadas à China, Índia e Argentina, depois reviu posições), o impasse final revela uma questão estrutural interessante: a China e a Índia pretendem aprovar mecanismo de proteção a os camponeses contra os surtos de importação do agro-negócio, inclusive o brasileiro. Fala-se em agricultura familiar, mas não há mais camponeses requisitando proteção contra os preços internacionais no Brasil? Como abordar a “questão agrária” no Brasil de hoje? Resposta - Não sou muito bom em assuntos de comércio internacional, mas é muito evidente que o agro-negócio é quem dita a política comercial brasileira. Assim, as idas e vindas, a vacilação, a mudança de posição na Rodada Doha só confirma isso. O Brasil volta assim à era do café: suas exportações colocam-se contra as condições de vida das parcelas menos importantes das classes dominadas. A questão agrária perdeu importância na medida em que o agro-negócio resolveu a “questão agrícola”: não há mais nenhum produto importante da economia camponesa na mesa do brasileiro, daí que a solidariedade com os Sem-Terra, por exemplo, não passa do nível e superfície da retórica. Num país em que o principal sojicultor do mundo era do PPS, tudo é possível. E o principal depredador: vocês já viram um mapa de Mato Grosso? Reparem nas legendas: a enorme área sem vegetação é hoje de cultura de soja, de milho, e mesmo a pecuária está sendo varrida, assim falou esse senhor Maggi, governador daquele infeliz estado. Pergunta – Os Estados Unidos parecem viver, nas eleições presidenciais de 2008, o esgotamento da “era Bush” (de predomínio neoconservador) e certa retomada do gosto pela política. Sumariamente, como o senhor analisa as eleições norte-americanas e o fenômeno de Barack Obama? Não compartilho desse otimismo. Obama é tão conservador quanto Lula. Ele é mais establisment que Hilary, que no fundo não passava de uma advogada de província – ela era de Arkansas, como o marido – enquanto Obama freqüentou Harvard. Fiz um artigo para a Folha de S.Paulo [28/02/2008] que se chamada exatamente “Obama, Tocqueville e a Ilusão Americana”. Obama é uma ilusão. blog: http://jaldes-campodeensaio.blogspot.com/ September 09 XXXI CONGRESSO INTERNACIONAL DE NATURISMO EM TAMBABA - PARAÍBA DO NORTE - BRASIL
September 07 ESQUENTAIS VOSSOS PANDEIROS JACKSONIANOS
September 06 JORNALISMO DE ENCOMENDA
DEBATE ABERTO Encomenda, a segunda natureza do jornalismo? A manchete do jornal O Globo, de 24 de agosto, "denunciando" que "cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal. Gilson Caroni Filho Que ganha bem um editor de primeira página de O Globo ninguém duvida. "O valor do sal" é calculado de acordo com a "esperteza" dos bem selecionados peixinhos do aquário. A manchete de domingo, 24 de agosto, "Cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem, alusiva aos investimentos públicos feitos, em quatro anos, através da lei Piva e de recursos de estatais a diversas modalidades olímpicas, mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa. Fonte: Agência Carta Maior |
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