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    September 22

    PARTÍCULA DE DEUS - PALESTRA ECCARTE-CABO BRANCO

    NO SÁBADO

    'Partícula de Deus' é tema de palestra na Estação Ciência

    'Do Átomo à Partícula de Deus' é a temática da palestra a ser proferida na Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Artes, no próximo sábado (20), pelo professor doutor em Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Carlos Antonio de Sousa Pires. A atividade faz parte do programa 'Difusão e Popularização da Ciência - Ciências aos Sábados', e começa às 16h na Sala de Audiovisuais, no 2º andar da torre do complexo arquitetônico localizado no Altiplano Cabo Branco. A entrada é franca para todos visitantes.

    'A Partícula de Deus' ou o 'Bóson de Higgs', talvez o último elo que falta para confirmar a teoria mais aceita sobre a formação do universo, o chamado 'Modelo Padrão', é o assunto principal que o professor Carlos Pires (especialista em Teoria Geral de Partículas e Campos) irá abordar na sua apresentação.

    Ele vai falar sobre o provável acionamento, ainda este ano, do super acelerador de partículas LHC (Large Hadron Collider), considerado o maior empreendimento científico e tecnológico do mundo. Trata-se de uma imensa construção de 27 km de circunferência, enterrada a 100 metros de profundidade e instalado entre as fronteiras da Suíça e da França, cujo objetivo é provocar a colisão de partículas subatômicas em velocidades e energias altíssimas, tentando entender de que é feita a matéria e como ela se comporta.

    Na avaliação do professor, a 'Partícula de Deus' vai confirmar tudo que já foi descoberto. "Para mim, o Bóson de Higgs existe e se ele não existir deve haver alguma coisa muito similar. Ele irá cumprir seu papel com respostas sobre a natureza", concluiu.

    Difusão da ciência

    – O programa 'Difusão e Popularização da Ciência' da Estação Cabo Branco é realizado quinzenalmente aos sábados, através palestras, conferências, exibições de filmes, peças teatrais, debates, mesas redondas, workshops, entre outros.

    A Estação funciona de terça-feira a sexta-feira, no horário das 9h às 17h, e sábados e domingos, das 10 às 18h. As visitações de escolas do município de João Pessoa e do interior do Estado, entre outros grupos, são precedidas de agendamento. Mais informações pelo telefone 8860-0678.

    September 14

    Falando sobre El Valle de los Reyes al anochecer

     

    O Vale dos Reis, ou Wadi el-Muluk (وادي الملوك) em língua árabe, é um grande vale montanhoso no Egito onde, por um período de aproximadamente 500 anos foram construídos tumbas para os Faraós e nobres importantes do Antigo Egito (entre a XVIII e a XX dinastias).

    O Vale dos Reis localiza-se na margem ocidental do Nilo, oposto a Tebas (atualmente Luxor). Está separado em duas zonas, vale ocidental (West Valley) e vale oriental (East Valley), com os mais importantes túmulos no vale oriental.

    Só quem já esteve  no Vale dos  Reis, para dizer como é  especial a energia que se  sente.

    boas  lembranças

    May

    El Valle de los Reyes al anochecer

    Falando sobre Esfinge 5

     

    SOLENE ESFINGE, e a PIRÂMIDE de kEOPES , a que  fica aberta a vizitação pública.

    Esfinge 5

    EILZO MATOS PENSA E ESCREVE

    ENFIM, O FIM DE RICARDO

    Eilzo Matos

     

            A "Era Ricardo" chega ao fim. Graças a Deus. Ruim para os que não podem viver sem ele, melhor para os que conhecem a ameaça que ele representa. Para mim, ele está simplesmente, entre os fenômenos que abomino: os de mau agouro. Mas me ocupo em outras coisas, e cutuco aqui e ali, recorro à força dos orixás, pois o caso dele não é problema da alma, é do caráter. E o remédio é: pra doença médico, pra pecado sacerdote, pra vício do caráter catimbó. Outros recomendam polícia.

            Ora, “ele criou um sistema de relações pessoais e interesses que formaram uma cultura política perversa”. Delicia-se duvidando da democracia, como o faz com a “Coligação Cano de Esgoto” – via de escoamento dos dejetos morais da política paraibana. Os seus integrantes, via de regra, ou são réus, ou citados e envolvidos nos arquivos da Polícia e Justiça Estadual e Federal, como pessoas de mau procedimento, nas esferas pública e privada – delinqüentes. Ou beneficiados com ofertas generosas, feitas por Ricardo à custa da prefeitura da ca-pital.

            Ricardo foi eficaz na construção do seu nome. Tudo com informações mentirosas, e cenas de conduta dissimulada. Não farei no momento a lista dos fatos que o incriminam. São muitos. Tenho uma relação de denúncias que o envolvem e a sua administração, guardadas no meu PC, e as usarei quando necessário. A menor delas, o apelido de “mago”, para passar a impressão que é magro como um desnutrido trabalhador, ou mágico para transformar coisas. Aconselho aos que proclamam tal aptidão, ver onde ele come e as fichas dos processos: come em restaurante de luxo, e é réu em processos por crimes administrativos, por ele praticados. São gravíssimas as denúncias contra Ricardo.

            Por enquanto, não é preciso outra fonte que as indicadas, feitas no “horário eleitoral”, que desmascaram a sua alardeada lisura. Uma ou outra vez ocorre um “pedido de resposta”, e por pura esperteza, estes, entretanto, em fatos sem maior destaque entre os seus atropelos morais.

            Como anunciei em texto passado, ele representa um desastre histórico que podemos e devemos contornar. Aquela “asa de corvo carniceiro, asa agoureira” aquela “pele de rinoceronte” estendida sobre a sociedade. Algo como Hitler e Stálin.

    Em suma, um político que disputa o poder com métodos de bandoleiro e agressividade de assaltante, para quem as palavras não têm valor, a verdade não se distingue da mentira.

    Vade retro!



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     Sertão, setembro 2008



    Falando sobre Abu Simbel 9

     

    Citação Egito mágico

    Abu Simbel 9

    ELE NÃO SABE LER ( LULA)

    "Ele não sabe ler"


    Por Agnaldo Almeida

    Amigos me recriminam – penso eu que em tom de brincadeira – pelo fato de insistir na avaliação positiva do governo Lula, que eles consideram um retrocesso. Também em tom descontraído, ameaço fazer comparações entre Lula e o seu antecessor, o sociólogo poliglota Fernando Henrique, e noto que isso os deixa ainda mais perturbados.

    Toda essa divergência decorre, salvo engano, da circunstância de que estes amigos, quase todos letrados, formados e integrantes da chamada “classe média brasileira”, não se sentem bem tendo como presidente da República um homem que, sem ter ralado nos bancos escolares, acabou chegando ao principal cargo político do país.

    Eles, na verdade, não admitem a possibilidade de alguém, sem um alentado currículo escolar, chegar a ter sucesso numa seara tão complicada como a política. Por mais que Lula prove a sua competência e dê sinais de vir se transformando num dos grandes presidentes brasileiros, sempre contra-argumentam: “Mas não sabe ler!”.

     Eu também acho que Lula não sabe ou não gosta de ler. Mas não costumo brigar com os fatos e, ao contrário dessas opiniões, me quedo a uma avaliação positiva do atual governo, sobretudo, se esta avaliação se concentra no que a gestão Lula tem feito em prol das camadas mais carentes da população brasileira.

    Os números não mentem

     A notícia divulgada na sesta-feira passada pelo insuspeito instituto Datafolha, diz o seguinte: “Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Lula quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Mais de 64% da população considera seu governo ótimo ou bom. Já era dele, Lula, o recorde anterior, que o colocava na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização".
    Lula tem, segundo este levantamento, e pela primeira vez, o apoio da maioria da população do Sudeste,dos que morem em regiões metropolitanas e daqueles que possuem cursos superiores, com renda familiar superior a dez salários mínimos.

    A República dos Bacharéis

    A crítica ao presidente Lula, que o desqualifica por não possuir diploma universitário, lembra Lima Barreto. No “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, diz o escritor, ao traçar um dos perfis mais irônicos sobre o bacharel brasileiro: “Não se imagina o rebuliço que tal coisa foi causar lá. Que língua era? Consultou-se o doutor Rocha, o homem mais hábil da secretaria, a respeito do assunto. O funcionário limpou o pince-nez, agarrou o papel, voltou-o de trás para diante, pô-lo de pernas para o ar e concluiu que era grego, por causa do "y".O doutor Rocha tinha na secretaria a fama de sábio, porque era bacharel em direito e não dizia coisa alguma”.

    O nirvana do bacharel

    Também sobre este tema, é bom de ver o que, em termos de ficção, escreveu o advogado e mestre em Direito Paulo de Bessa Antunes, que escreve no site “O Eco”:

    “Era uma vez, há muito tempo, em um lugar muito longe daqui, um País de Bacharéis. Lá, nada acontecia, nada se passava se não fosse intermediado pelos bacharéis. Na linguagem popular, termos como data vênia, meritíssimo, rebus sic stantibus, propter rem e outros, eram expressões coloquiais que, à moda de interjeições, freqüentavam papos nos botequins e cafés daquele feliz país, no qual reinavam os bacharéis. Alcançar o bacharelato era entrar em uma casta que gozava as maravilhas do Nirvana intelectual, pairando sobre os meros mortais.

    O chamado “bacharelismo” era uma das mais arraigadas tradições daquela nação que, de tão forte, acabou se transformando no próprio nome do país: República Federativa dos Bacharéis. Aliás, eu mesmo, como Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, sinto uma profunda depressão por não ser cidadão daquele maravilhoso país, no qual gozaria das benesses de participar da classe dirigente”.

    É uma ficção, como se vê, mas é sobre o Brasil que Bessa está falando. Sobre o Brasil de antigamente e sobre o Brasil de hoje. Contra todas as evidências, numa briga inglória contra os fatos, a elite bacharelesca do país não aceita que um semi-alfabetizado esteja a ocupar o mais alto cargo da república.

    Não importa que ele quebre recordes, que possibilite a economia crescer num trimestre mais de seis por cento, ou que seja portador de boas notícias como a descoberta de jazidas de petróleo. Não importa nem mesmo o fato de ter reduzido o quadro de fome no país.

    Para os seus críticos mais ferozes, o que importa mesmo é tão somente o fato de ele não ter ralado nos bancos da universidade. Ou seja, o fato de não ser, como convém a uma ex-colônia portuguesa, portador de um diploma de nível superior.

    Os resultados das pesquisas mostram que meus amigos estão na contramão da história. Mas isso não os diminui em nada: só aumenta a convicção de que o Brasil vai ficando, certo ou erradamente, cada vez mais plural.

    September 10

    FRANCISCO DE OLIVEIRA concede entrevista a JALDES e CIDA MENESES

    Francisco de Oliveira: a razão crítica contra o cinismo dos sem-razão
     
    Entrevista concedida aos professores Jaldes Reis de Meneses (DH-UFPB) e Maria Aparecida Ramos (DSS-UFPB)
          
    Trata-se de um truísmo afirmar que o professor Francisco de Oliveira, Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP) é hoje um dos principais intelectuais brasileiros. Autor de uma respeitável obra de estudos sociológicos, hoje clássicos, tais como Elegia para uma re(li)gião (1977), A economia da dependência imperfeita (1989), Os direitos do antivalor (1998)  e o recente e polêmico artigo O ornitorrinco, incluído no volume Crítica à razão dualista/o ornitorrinco (2003), aos 74 anos, o professor mantém-se ativo, repleto de compromissos e com uma produção intelectual intensa de quem não fica parado e pensa as questões atinentes ao Brasil e à evolução recente do capitalismo em tempo integral.
           Dotado de imensa coragem e independência crítica, filiado em suas origens mais antigas a Celso Furtado, com quem compartilhou a direção intelectual da SUDENE antes de 1964, é impressionante a capacidade renovação do pensamento de Chico de Oliveira. Sempre munido da razão crítica contra o cinismo dos sem-razão, estamos diante de um pensamento em movimento, irônico e curioso, que se vale com rigor e sem preconceitos de vários matizes intelectuais, talvez para surpresa dos dogmáticos – acostumados à macaqueação como meio de sobrevivência –, num escopo que vai, por exemplo, Antonio Gramsci, Walter Benjamin e Jurgen Habermas a Michel Foucault.
           Sobretudo, Chico de Oliveira vai beber nas lições metodológicas da crítica da economia política de Marx, a qual renovou na formulação da teoria do antivalor, injetando política onde muitos conseguiam divisar somente uma espécie de movimento automatizado do capital. Lênin estava correto ao afirmar que o imperialismo significava a fusão do capital comercial e industrial (o mercantilismo e a revolução industrial, amalgamados), gerador de um novo tipo de capital financeiro e uma cúpula de poder, a oligarquia financeira. Ainda assim, distraído, relevou, nesta escalada de poder, o ápice de tudo, o banco central e o Estado, conforme acabamos de assistir no episódio de tentativa de salvação, da parte do FED e do governo Bush, das duas grandes casas de hipotecas imobiliárias norte-americanas. Eis o antivalor em ação. 
           Alguma pessoa em sã consciência pode negar a existência de duas grandes poéticas em Marx? Uma primeira contida na crítica da economia política; e a segunda, nos estudos históricos sobre a França revolucionária novecentista. Antevimos, assim, a uma alegoria: o Shakespeare de O mercador de Veneza no Marx de O capital (economia política); bem como no Marx o de 18 brumário de Luis Bonaparte (estudos históricos e políticos) elementos da escritura do poder desvelada em um Macbeth – mas podia ser Hamlet ou qualquer das fábulas políticas shakespearianas. A sinfonia de sonhos, máscaras e espectros do teatro elizabetano do século XVI, foi reeditado em Marx como metáfora do jogo político na luta de classes. Os personagens vão se reinterpretando. Por seu turno, Chico de Oliveira faz uso magistral de ambas as poéticas marxianas, denso e elíptico como João Cabral de Melo Neto e Graciliano Ramos. Mais vale a síntese da razão crítica que ilumina. 
           Na presente entrevista, podemos ler em Chico de Oliveira o fino analista da conjuntura, empenhado em análises dos principais acontecimentos da hora presente. Nas respostas às nossas perguntas, sentimos algo como uma ressonância da atitude desmistificadora de O 18 brumário, no tocante à análise das forças políticas em presença. Marx foi escritor de obras primas e formulador de uma teoria política realista, numa autêntica analítica das relações de força, fundamentada no preceito de que as lutas políticas são os resultados da evolução das lutas de classes, mesmo quando estas parecem se eclipsar, com acontece atualmente. Acostumado aos ventos e trovadas na aventura de compreender um país de história complexa e original como o Brasil, igualmente ao mouro alemão, Chico de Oliveira é ciente da dura materialidade dos enfrentamentos sociais, e que por trás da conciliação – lição de Walter Benjamin –, na verdade, se esconde a derrota, contudo, na mesma cápsula, pode-se divisar a memória dos oprimidos.
           Enfim, um clássico do pensamento brasileiro. (Jaldes Reis de Meneses e Maria Aparecida Ramos).
    Pergunta – Caro professor Francisco de Oliveira, em seu instigante artigo “Política numa era de indeterminação” (publicado no livro “A era da indeterminação”, editora Boitempo, 2007), o senhor faz uma periodização do século XX brasileiro, desde principalmente 1930, como um período de “internalização das decisões” (Celso Furtado) que resultou em um momento derradeiro (a assim chamada “Nova República”, 1985-1990) em que pareceu que tínhamos um sistema político assentado num jogo de adequação de interesses, classes e representação política. De repente, tudo isso se esfumou. No Brasil de hoje (2008) se vive, ainda, uma “era da indeterminação”? Qual a governabilidade da “indeterminação”, se por paradoxo é possível?
    Resposta - Creio que a indeterminação já se resolveu, ou pelo menos, seguindo uma sugestão de Vladimir Safatle em seu recente “Cinismo e a Falência da Crítica” (São Paulo, Editora Boitempo, 2008), estamos numa estabilização da indeterminação. Isto quer dizer que esta fase é marcada pelo que estou chamando “Hegemonia às Avessas”, (leiam meu artigo na revista Piauí, número 04 janeiro de 2007, páginas 56 e 57). Isto quer dizer que os dominados controlam a “pequena política” – para você, Jaldes, um cultor de Gramsci, isto é conhecido – desde que ela não afete os grandes interesses do capital, ou a “grande política”. Mas esta condução da “pequena política” é o avesso da hegemonia, pois vai na direção contrária a qualquer projeto de classe. É uma regressão política, na verdade. Creio que é uma forma de dominação periférica própria do capitalismo globalizado, e a meu juízo, ocorre também na África do Sul, onde o apartheid foi derrotado no plano da política, mas continua dominante no plano da economia. Lula é o Mandela do Brasil. Aos dominados, a política, como divertissement, e aos dominantes, o controle da economia. Mas não é tão simples, pois uma fração dos dominantes hoje provém dos dominados, que chamei uma “nova classe” no O Ornitorrinco (Crítica da razão dualista/o ornitorrinco). Como se vê, continuamos a inventar.
    Pergunta – Em recente programa de televisão alusivo aos 90 anos de Antonio Candido, o senhor afirmou que a geração de autores como o próprio Candido, Caio Prado, Florestan Fernandes, etc., são “pontos de partida” e não “de chegada” na compreensão do Brasil. Como é possível chegar a algum “ponto”, em termos de espaço nacional brasileiro, diante da internacionalização da economia?
     Resposta - Eles são pontos de partida, porque é a partir daí que temos que avançar na compreensão do Brasil. Não são mais pontos de chegada, por exemplo, com Celso Furtado: a globalização redefiniu os termos entre periferia e centro, por isso a teorização de Furtado não pode ser entendida como uma radiografia do Brasil de hoje e de sua inserção no sistema internacional. A partir de sua “internalização de decisões”, que foi o auge do “subdesenvolvimento”, podemos partir para entender a extroversão das decisões, mas não podemos nos contentar com as recomendações de política que decorriam do “subdesenvolvimento”. Com os outros grandes teóricos, passa-se mais ou menos o mesmo, talvez menos com Antonio Candido, pois como sabemos as mediações de sociedade, Estado e sistema econômico são mais complexas, e qualquer reducionismo aí é muito perigoso. Florestan pode ser entendido na chave também do “ponto de partida”, mas sua interpretação sobre a ausência de “revolução burguesa” no Brasil, em chave parecida com as dos nossos Carlos Nelson Coutinho e Luis Werneck Vianna, deve ser repensada, pois no capitalismo globalizado já não se faz necessária que a burguesia nacional seja revolucionária. Aliás, se a “hegemonia às avessas” tem alguma qualidade como “provocação teórica”, está exatamente em que a globalização utiliza as “energias utópicas” (Habermas) dos dominados para a nova forma de dominação.
    Pergunta – Tivemos dois anos de crescimento econômico no Brasil. Sobrevém atualmente uma crise econômica internacional, com fulcro nos Estados Unidos. Diante da conjuntura, como se projetam as dificuldades no governo brasileiro, doravante?
    Resposta - Pode-se produzir “descolamento” entre a crise nos USA e também na Europa, e a expansão capitalista no Brasil. Estamos nos especializando em comodities, além de que convém insistir em que a dinâmica capitalista na China e na Índia supre as demandas de outras regiões. A crise norteamericana, que é sobretudo de caráter financeiro, não necessariamente afeta as comodities. Já se produziu algo parecido na crise dos anos 30: enquanto o capitalismo central mergulhava em recessão, a economia brasileira cresceu. O problema, desta vez, é que o financiamento da acumulação de capital no Brasil se extroverteu, e então uma crise financeira pode nos afetar gravemente. 
    Pergunta – Na esteira das antigas e polêmicas digressões de Rui Mauro Marini, enunciadas em Dialética da dependência (México, Editora Era, 1977), ainda na década de 70 do século passado, alguns vizinhos brasileiros (Bolívia, Paraguai, e mesmo a Argentina, entre outros) voltaram a falar em um “sub-imperialismo” brasileiro. Realmente, os investimentos estatais e empresariais brasileiros têm crescido nesses países. Como analisa a questão? 
    Resposta - Creio que Rui Mauro Marini previu corretamente a trajetória do capitalismo brasileiro e suas relações com a América do Sul. Na época, apenas Itaipu anunciava sua tese; agora, a Petrobrás controla 15% do PIB da Bolívia. Isto é uma empresa dentro de um Estado ou um Estado dentro de uma empresa? Até o governo brasileiro tem medo da Petrobrás: a discussão atual sobre o Pré-Sal mostra que o governo não controla mais sua principal empresa. Parodiando Paul Baran [1910-1964], em conferência no Recife, que nunca foi divulgada, não é o governo brasileiro que controla a Petrobrás, mas é a Petrobrás quem controla o governo brasileiro. Perto disso, o imperialismo das antigas grandes “sete irmãs “ do petróleo é brincadeira de aprendiz.
    Pergunta – Face à ciclotimia das posições do Brasil na “rodada de Doha” da OMC (começou com posições alinhadas à China, Índia e Argentina, depois reviu posições), o impasse final revela uma questão estrutural interessante: a China e a Índia pretendem aprovar mecanismo de proteção a os camponeses contra os surtos de importação do agro-negócio, inclusive o brasileiro. Fala-se em agricultura familiar, mas não há mais camponeses requisitando proteção contra os preços internacionais no Brasil? Como abordar a “questão agrária” no Brasil de hoje?
    Resposta - Não sou muito bom em assuntos de comércio internacional, mas é muito evidente que o agro-negócio é quem dita a política comercial brasileira. Assim, as idas e vindas, a vacilação, a mudança de posição na Rodada Doha só confirma isso. O Brasil volta assim à era do café: suas exportações colocam-se contra as condições de vida das parcelas menos importantes das classes dominadas. A questão agrária perdeu importância na medida em que o agro-negócio resolveu a “questão agrícola”: não há mais nenhum produto importante da economia camponesa na mesa do brasileiro, daí que a solidariedade com os Sem-Terra, por exemplo, não passa do nível e superfície da retórica. Num país em que o principal sojicultor do mundo era do PPS, tudo é possível. E o principal depredador: vocês já viram um mapa de Mato Grosso? Reparem nas legendas: a enorme área sem vegetação é hoje de cultura de soja, de milho, e mesmo a pecuária está sendo varrida, assim falou esse senhor Maggi, governador daquele infeliz estado.
    Pergunta – Os Estados Unidos parecem viver, nas eleições presidenciais de 2008, o esgotamento da “era Bush” (de predomínio neoconservador) e certa retomada do gosto pela política. Sumariamente, como o senhor analisa as eleições norte-americanas e o fenômeno de Barack Obama?
    Não compartilho desse otimismo. Obama é tão conservador quanto Lula. Ele é mais establisment que Hilary, que no fundo não passava de uma advogada de província – ela era de Arkansas, como o marido – enquanto Obama freqüentou Harvard. Fiz um artigo para a Folha de S.Paulo [28/02/2008] que se chamada exatamente “Obama, Tocqueville e a Ilusão Americana”. Obama é uma ilusão.
     
     
    blog: http://jaldes-campodeensaio.blogspot.com/
     
    September 09

    XXXI CONGRESSO INTERNACIONAL DE NATURISMO EM TAMBABA - PARAÍBA DO NORTE - BRASIL

    Naturistas do mundo em Tambaba

     

    PARAÍSO
    A organização do Congresso Internacional de Naturismo espera receber cerca de quatro mil participantes

     

    Adrina Crisanto
    adrina@jornalonorte.com.br

    A paradisíaca praia de Tambaba, na Costa do Conde, litoral sul do Estado, será palco do "31º Congresso Internacional de Naturismo". O evento acontecerá no período de 9 a 13 de setembro, mas desde ontem (sábado) a arena da praia recebe visitantes para o Mercado Capim Fashion e as apresentações musicais que acontece na Arca do Bilu.

    O local oferecerá toda a infra-estrutura necessária para os naturistas com salões para reuniões e salas de apoio com ar condicionado. O Congresso será dividido duas grandes áreas. A primeira destinada a Federação Internacional de Naturismo (FIN) onde acontecerão reuniões para o biênio 2008/2010 e a escolha do país sede da próxima edição do evento.

    A segunda área se destina a realização do encontro regional que este ano tem como tema: "O Naturismo por um mundo principal" e abordará várias temáticas, como: Naturismo e Turismo, questão de propaganda, bioética e paradigma, desnudar-se - uma questão de ética, naturismo e o meio ambiente, naturismo, educação e filosofia de vida, bio cibernética, metodologia alternativa de uma corporeidade decorrente da revolução do cérebro.

    O participante do congresso receberá um farto material didático na abertura do congresso. No local uma rede de bares e restaurantes está sendo montada para melhor servir aos congressistas e visitantes. Haverá ainda tendas com comidas típicas, dia e noite, apresentação de grupos folclóricos e artistas regionais.

    Uma equipe de recepcionistas treinada estará no local para atender e tirar dúvidas dos congressistas, visitantes e turistas. Na praia terá chuveiros com água doce, banheiros químicos, médico, ambulância de plantão, lojas de conveniência, tendas de massagens e segurança 24 horas. Haverá ainda transporte de Jacumã para Tambaba e para os hotéis diariamente. Os congressistas terão transporte gratuito.

    De acordo com Secretário de Cultura do Município do Conde, Saulo Barreto, um congresso como este precisa ser comemorado de maneira especial e marcante. A Paraíba concorreu com a Itália, Ucrânia e Estados Unidos para ter uma edição no Conde. A captação do evento aconteceu durante a realização do 30º Congresso da INF, realizado na cidade de El Portus, sul da Espanha.

    A previsão dos organizadores é que estejam em Tambaba neste período 4 mil naturistas da Europa, Américas e do Brasil. O Congresso Internacional de Naturismo é uma ação da Sociedade Naturista de Tambaba, com promoção da Federação Internacional de Naturismo (FIN), Federação Brasileira de Naturismo (FBN) e apoio da Prefeitura Municipal do Conde (PB).

    Inscrições

    As inscrições continuam abertas e estão sendo feitas pela internet, através do endereço eletrônico www.tambaba.tur.br. Para se inscrever basta preencher o formulário de inscrição e enviar comprovante de depósito bancário devidamente identificado para o correio eletrônico sonata@tambaba.tur.br ou pelo fax (83) 3216.5011. A taxa de inscrição para não sócio é R$ 80,00, sócio R$ 50,00 e R$ 40,00 (estudante).

    O pagamento deve ser feito através de deposito bancário Banco do Brasil S/A agência 3277-8 conta corrente 3277-8 em nome da Sociedade Naturista de Tambaba (Sonata). A sede da sociedade está localizada na rua Dorgival Marques Pordeus, 301, Castelo Branco III, Cep: 58.050-550, em João Pessoa (PB). Outras informações e detalhes podem ser adquiridas pelos telefones: (83) 9149.1838 ou 9927.9471.

    Imprensa marcará presença

    Jornalistas e formadores de opinião de todas as partes do mundo estarão em Tambaba no 31º Congresso Internacional de Naturismo. A turma do CQC da Rede Bandeirantes de Televisão vai fazer a cobertura do Congresso. Estão também confirmadas as presenças dos jornalistas do Estadão, Folha de São Paulo, JB, Diário de Pernambuco, Diário de Natal, O Povo e outros.

    O jornalista Maurício Kubruskly também fará a cobertura do evento para o quadro "Me leva Brasil" do Fantástico da Rede Globo de Televisão e já confirmou a presença. A sua produção ficará hospedada em um hotel na Tambaba mesmo.

    Programação inclui concertos e exposições

    Apresentação de grupos folclóricos, orquestra de violões, feira regional, passeios turísticos, exposições de arte, lançamento de glossário naturista são algumas das muitas atividades que acontecerão no "31º Congresso Internacional de Naturismo", na praia de Tambaba neste período.

    Na abertura oficial do evento, dia 9 de setembro, após a saudação de vindas aos participantes, haverá uma homenagem póstuma e apresentação do relatório sobre a influência do tema do Congresso "Naturismo por um mundo melhor" apresentado por Barbabra Hadley e Mick Ayers.

    Na terça-feira (9) a Orquestra de Violões anima o Congresso com uma apresentação a partir das 17h00. Neste concerto a orquestra de violões da Paraíba, regida por Carlos Santos, estará interpretando obras que fizeram parte do primeiro e CD´s, além de peças que irão fazer parte do seu novo trabalho a ser gravado ainda esse ano. Assim, com um repertório eclético, que irá contemplar diferentes estilos, gêneros e ritmos, a Orquestra de Violões pretende encantar o público presente com todo seu lirismo.

    A apresentação contará com a participação especial da cantora Maria Juliana e do flautista Anderson Breno. A atriz Eunice fará uma performance cênica naturista e logo após, de 21h00, acontece o baile "Adão e Eva", uma confraternização com todos os naturistas. No dia seguinte, quarta-feira (10) as 16h00, se apresenta o grupo musical "Tambores pela Paz".

    Um dos momentos culturais marcantes será o sarau poético "Até que chegue o teu braço", com Marcony França, Arthur Marinho, Giz Paixão e participação especial de Isa Y Plá, no sábado, dia 13 de setembro.

    Eventos paralelos devem acontecer em palcos montados exclusivamente para as atrações. Os shows musicais serão diários no período de 17h00 até as 22h00. Será lançado também um "Glossário Naturista", além mostra de vídeos, feira de artesanato, apresentação da Nau Catarineta, grupos de cirandas, coco de roda, quadrilhas juninas e bailes que acontecem no primeiro e segundo dia do evento.

    Conhecendo um pouco mais sobre Tambaba

    A praia de Tambaba está localizada no município de Conde (PB), localizada a cerca de 45 quilômetros da Capital João Pessoa. É conhecida pela sua seção naturista, gerida Sociedade Naturista de Tambaba (Sonata), filiada a Federação Brasileira de Naturismo e Federal Internacional de Naturismo com parceira da Prefeitura do Conde. A sociedade organizou uma série de normas de conduta ética, como meio de garantir um padrão de comportamento na praia. Estas incluem proibição de filmagens ou fotografia, sem autorização, a obrigação de nudez total para aceder ao local, à proibição total de qualquer comportamento ou praticas sexuais e proibição do uso de drogas. Todos estes itens são relacionados com o Código de Ética Naturista.

    O nome de Tambaba é originário do Tupi-Guarani e significa "conteúdo das conchas" ou "monte de vênus, que está dentro das conchas. Diz a lenda que uma jovem e bela índia de nome Tambaba habitava a região e se apaixonou por um guerreiro de outra tribo. O pai de Tambaba, o cacique, não permitia o casamento da filha. A índia desesperada com seu destino chorava muito e sua lágrimas inundaram as terras secas e as transformaram primeiro em um lago, depois numa praia cujas ondas suaves vinham de seu soluçar. Entristecida ela suplicou ao Deus Sol e a Deusa Lua que eternizassem aquele local como o templo do amor e da vida.

    A topografia de Tambaba é única e peculiar. Tal como a denominação de conchas ela é rodeada por falésias e trechos polvilhados por conchinchas marinhas. A vegetação que a cerca é diversificada e guarda enormes coqueiros. O revelo das falésias deu origem a mirantes onde os visitantes podem apreciar a vista. Além de permitir falésias feitas de argila colorida.

    Tambaba tem uma extensão de 600 quilômetros e faz divisa com duas outras praias tão belas quanto, chamadas de Coqueirinho e Tabatinga. Distante da Capital da Paraíba, João Pessoa, apenas 40 quilômetros. Tem acesso fácil pela via PB 008 e pela Br 101. Conhecida também santuário ecológico ela é ornamentada pela Mata Atlântica praticamente virgem e por um labirinto de areias coloridas, resultado do movimento dos ventos alísios constantes em praticamente todo litoral paraibano.

    Competições de Surf Naturista estão no evento

    No local acontecerá também o primeiro campeonato de surf naturista que tem como slogan: "Tambaba Open Naturist Surf". As competições acontecem em dois dias, sexta e sábado, sempre pela manhã, no período de 8h até 11h30. O campeonato acontecerá na área naturista, portanto, os participantes devem competir despidos.

    As inscrições estão abertas e podem ser feitas através do endereço eletrônico www.injectbrasil.com e www.cutback.com.br em forma de reservas, onde serão realmente efetuadas na Arca de Bilu (antecipadamente) ou no dia da competição no local da prova. O preço das inscrições para os participantes do congresso custa R$ 10 e demais participantes R$ 20.

    DIVULGAÇÃO  AUTORIZADA  maycirilo@hotmail.com

    FOTOS: GOOGLE.COM

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    September 07

    ESQUENTAIS VOSSOS PANDEIROS JACKSONIANOS

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    Jornal A União

    Destaque

    Para esquentar nossos pandeiros Imprimir E-mail
    06 de setembro de 2008
    No último fim de semana iniciamos aqui em A União, uma série de reportagens especiais sobre os projetos contemplados pelo edital 2008 do Fundo de Incentivo à Cultura Lei Augusto dos Anjos (FIC). Inauguramos a série conversando com Arthur Pessoa, proponente do projeto "Made in Paraíba", que tem como objetivo principal difundir a produção musical paraibana no mercado internacional de música independente. Voltamos esta semana com um novo projeto beneficiado pelo FIC para que o leitor fique por dentro da produção cultural no estado que será patrocinada durante este ano de 2008 e durante todo o ano de 2009, desta feita em homenagem ao artista Jackson do Pandeiro.

    "Estou com saudades de Jackson do Pandeiro, estou com saudades, que é coisa de brasileiro". Funk como Le Gusta, Clube do Balanço, Paula Lima, Wilson Simoninha, Max de Castro, Jorge Ben, Elba Ramalho, Chico César, Cabruêra, Totonho, Chico Corrêa...Quanto mais nomes couberem nesta página não serão suficientes para enumerar o tanto de gente que anualmente homenageia o paraibano Jackson do Pandeiro.

    Reconhecido como o "Rei do Ritmo", nascido José Gomes Filho em Alagoa Grande, no Brejo paraibano, em 31 de agosto de 1919, Jackson, que completaria no próximo ano 90 anos de idade, é o mote para o projeto "Esquentais Vossos Pandeiros Jacksonianos". A proposta partiu da Associação Cultural e Recreativa Anjo Azul, que tem sede no Centro Cultural do Terceiro Setor, em João Pessoa.

    O projeto vai receber patrocínio no valor de R$ 19.446,18 (dezenove mil quatrocentos e quarenta e seis reais e dezoito centavos) e terá 12 meses de duração. Durante este período serão realizadas oficinas de música com Ely Porto, teatro com Maronilton Henrique e artes plásticas com Dulcivânia Ellias em João Pessoa.

    Em Alagoa Grande serão visitados o Museu de Jackson do Pandeiro e todos os lugares que marcaram sua vida na cidade brejeira. A coordenação do projeto é da produtora cultural Ednamay Cirilo. "Quando morava em Alagoa Grande Jackson trabalhava em olaria com o pai durante o dia e à noite se mandava com a mãe, que era cantora, para fazer shows. Vamos reviver esta história para o pessoal, para incentivar o trabalho aliado às artes", destaca Ednamay.

    Sem data certa para iniciar as atividades devido aos trâmites legais exigidos para liberação do patrocínio, acrescendo aí, o período eleitoral, pelo menos uma data é mais do que certa: 30 de agosto de 2009. Aniversário de 90 anos de idade de Jackson e data da visita à sua cidade natal, como está previsto no projeto.

    "Vamos fazer apresentação do grupo que está envolvido com o projeto e realizaremos ainda palestras com Neuza Flores, a viúva de Jackson que cuidará do museu. Também iremos convidar os jornalistas Fernando Moura e Antônio Vicente que escreveram a biografia de Jackson", completa Ednamay.

    E continua. "Sentimos a necessidade de trabalhar e enaltecer o legado rítmico de Jackson do  Pandeiro conhecido  mundialmente como o Rei do Ritmo. Queremos mesmo é fortalecer a identidade de um nordestino, paraibano, brejeiro, franzino negro e pobre, nascido em Alagoa Grande e que tinha medo  de avião, mas mesmo assim conquistou o Brasil e o mundo", enfatiza Ednamay.

    Será o legado rítmico de Jackson e sua história que irão contribuir para transformar a vida de vários moradores das comunidades do Varadouro, Baixo Roger, Jaguaribe, Torre, Cruz das Armas, Tambiá e Centro, locais onde estarão localizadas as atividades a serem desenvolvidas pelo projeto em João Pessoa e que poderão participar das oficinas citadas acima.

    "Faz-se urgente o cuidado permanente às pessoas que se encontram em situação de risco ou não, promovendo junto a elas uma série de investimentos com equipamentos culturais transformando pensamentos provincianos em pensamentos globalizados através da música. O benefício às comunidades citadas se dará com a participação desse contingente colocando no mesmo palco, antigos e novos jacksonianos e suas participações nas oficinas", explica a coordenadora.

    Pretende-se com isso, como explica a coordenadora do projeto, promover a inclusão de pandeiristas contemporâneos de Jackson na cena cultural da cidade, a exemplo de Baixinho do Pandeiro, Parra e Benedito do Rojão. "Queremos juntar esses músicos com novos expoentes como Ely Porto, Pablo Ramirez, Victor Ramalho, Lis, Michael Moura e Rebeca Mesquita, e que também possibilite uma efetiva troca de experiências e desdobramentos, com o público na sua mais ampla diversidade cultural, geracional e identidades", sublinha Ednamay.

    As atividades do projeto culminarão em grandes shows, onde serão apresentados os resultados das oficinas de música, teatro e artes plásticas. O lugar escolhido para essa festa é o Beco da Faculdade de Direito, localizada na praça João Pessoa. Uma dessas apresentações será no dia de concentração dos blocos pré-carnavalescos Anjo Azul e As Anjinhas. "Queremos também reviver aquela boemia que foi tão característica do Beco e que foi se perdendo com o tempo".

    Calina Bispo

    Repórter

    September 06

    JORNALISMO DE ENCOMENDA


    DEBATE ABERTO

    Encomenda, a segunda natureza do jornalismo?

    A manchete do jornal O Globo, de 24 de agosto, "denunciando" que "cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal.

    Gilson Caroni Filho

    Que ganha bem um editor de primeira página de O Globo ninguém duvida. "O valor do sal" é calculado de acordo com a "esperteza" dos bem selecionados peixinhos do aquário. A manchete de domingo, 24 de agosto, "Cada medalha custou R$ 53 milhões à União", é um primor em matéria de distorção e ocultamento da verdade. A reportagem, alusiva aos investimentos públicos feitos, em quatro anos, através da lei Piva e de recursos de estatais a diversas modalidades olímpicas, mostra que o jornalismo de encomenda não poupa esforços quando o alvo é o governo federal.

    Talvez a melhor análise já tenha sido feita pelo leitor Álvaro Marins em comentário a um artigo que versava sobre outro assunto. O que o jornal tentou ocultar foi "que as empresas brasileiras públicas estão fazendo um investimento médio de R$ 8.000,00 por mês, por atleta, para que ele tenha treinamento e equipamentos adequados para participar com brilho de competições internacionais (que a Globo não transmite), entre elas, os Jogos Olímpicos (cujas competições a Globo só transmite se elas não alterarem a sua grade de programação). Enfim, hoje o leitor de manchetes de O Globo ficou sabendo que o governo Lula investe no esporte (como todo governo responsável) e que as Organizações Globo ficam muito aborrecidas com isso". Na mosca, Marins, na mosca.

    Há dois anos, mais precisamente em 7de maio de 2006, publiquei no Observatório da Imprensa, um artigo intitulado "O velho serviço de encomenda". Peço licença ao leitor para reproduzi-lo aqui. É interessante a cadeia alimentar do campo jornalístico. Da labuta dos peixes de mercado, os ornados e pomposos extraem os nutrientes para os interesses dos peixões associados em empreendimentos políticos e econômicos. Qualquer advertência crítica à perfeição desse "ecossistema" soará como grito paranóico. Mas a leitura atenta não pode ceder aos reclamos do senso comum das redações. Nesse caso, a repetição mostra a que ponto chega um jornalismo que se considera como a única oposição confiável. Vale a pena ler de novo.

    "O velho serviço de encomenda"

    "Poucas vezes um jornal produziu uma edição tão explícita em intenções como o Globo de domingo (7/5). A entrevista com o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, é um primor de golpismo travestido de trabalho jornalístico. Prestidigitação e tentativas de projeção inserem-se de forma aguda nas páginas internas. O inédito exercício de futurologia trai os objetivos políticos da publicação. É o velho serviço de encomenda que não deveria surpreender a mais ninguém. A lamentar, sua previsível recorrência, apesar das loas tecidas ao exercício da democracia.

    Ocupando a dobra superior inteira da primeira página, o diário alardeia como novidade bombástica a afirmação do ex-dirigente partidário, manchete da página 4: "Quem mandava no PT eram Lula, Genoino, Mercadante e Dirceu". Se notícia é divulgação, sob formato jornalístico, de algo socialmente relevante que merece publicação, fica difícil definir o que norteou o jornal carioca. Se, tal como definem os manuais, a novidade é um dos fatores de qualidade da informação, os editores parecem não ter noção de regras elementares. Ora, quem, entre os leitores da grande imprensa, não conhecia a importância hierárquica dos três políticos citados?

    Definitivamente, mais uma vez, contrariando um dos slogans das Organizações, "o que pintou de novo não pintou na manchete do Globo". O que podemos ver, no entanto, é uma entrevista esburacada, sem sustentação interna e que nada acrescenta ao que já foi escrito sobre a crise política.

    Todos sabemos que é a edição que confere sentido às informações contidas em uma matéria. Longe de ser mero procedimento técnico, o ordenamento do conteúdo é pautado por determinações ideológicas do veículo. No caso da entrevista, isso salta aos olhos. Basta que, tal como faz o jornal, pincemos alguns trechos do depoimento de Silvio Pereira. Escolhamos outros, diferentes dos selecionados pelo Globo, para elucidar a dinâmica:

    1. "Não me conformo de o PT pagar todo o pato. Se investigassem a fundo realmente veriam isso. E o governo nada fez de errado";

    2. "Só não mexi com os fundos de pensão. Os maiores ficaram com Gushiken. Mas não houve nada de errado com os fundos";

    3. "Foi uma grande mística [a distribuição dos cargos]. De 7.900 pessoas que se inscreveram no sistema que eu montei, para toda a base aliada, com cargos e perfis técnicos, ficaram mais de 90% de fora. Foi um sistema legítimo".

    Organizando o movimento

    Ora, com base nas afirmações acima, a manchete poderia ser "Ex-dirigente do PT revela: o governo nada fez de errado". Haveria alguma distorção quanto às declarações do entrevistado? Será, enfim, o jornalismo uma atividade que comporte práticas discursivas efetivamente isentas? Creio que a resposta a estas questões já foi dada em marcos históricos bem distintos. As evidências empíricas há muito tempo desmontaram o mito da objetividade. Mas voltemos ao assunto que move nosso pequeno artigo.
    Deixemos, então que o jornal fale de suas reais motivações. Segundo Soraya Aggege, jornalista que entrevistou Pereira, o que levou o Globo a procurá-lo "foi mostrar como vive o ex-secretário um ano após a crise do ‘mensalão’". Uma espécie de "onde anda você", muito comum nas editorias de esporte e seções dedicadas ao mundo artístico, mas raro, senão inédito, no campo político.

    Mas por que logo ele? Havia tantos outros atores... Alguns, com predicados de barítono, como o ex-deputado Roberto Jefferson, certamente não se furtariam a atender à imprensa. Para os propósitos do jornal, porém, tinha que ser um ex-dirigente do partido. Alguém com conhecimento da máquina que pudesse, rompendo o silêncio, reiterar o que era por todos sabido como se novidade fosse. Uma legítima farsa, modalidade teatral que, desligada de princípios éticos, às vezes ganha conteúdo de denúncia à revelia do autor. Foi a isso que o Globo dedicou seis páginas na sua roupa de domingo.

    Publicada na véspera da reunião do Conselho Federal da OAB, que decidiria se a entidade encaminha ou não o pedido de impeachment de Lula, a entrevista é emblemática. Mostra, sem qualquer disfarce, seu real objetivo. O que se lê na página 9 não deixa qualquer margem de dúvida. "As declarações de Sílvio Pereira – que repercutiram ontem mesmo porque a edição de O Globo começa a ser vendida nas bancas do Rio a partir das 15h – deram novo fôlego à crise".

    O que impressiona é a capacidade premonitória do jornal. O que é publicado sábado permite adivinhar o que aconteceria na segunda-feira. E não estamos na seção de horóscopo. Mais uma vez a família Marinho vem a público anunciar que organiza o movimento. Orienta o carnaval e, na medida do possível, inaugura um monumento no Planalto Central do país”.
    E assim será até 2010, não duvidem.



    Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

    Fonte: Agência Carta Maior