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26 de agosto CONSTRUINDO A I CONFECOM - CONFEREÊNCIA DE COMUNICAÇÃOO Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social reafirma seu compromisso com a construção da I Conferência Nacional de Comunicação, do qual é parte ativa há mais de dois anos, e sua crença de que o campo dos representantes de trabalhadores e dos movimentos sociais deve lutar para que ela tenha caráter amplo e democrático. Consideramos que a posição de setores do Governo Federal em defender 40% dos delegados para o setor empresarial e quórum de 60% para aprovação de propostas contraria esse caráter, e não deve ser aceita. É possível e desejável buscar uma saída negociada para esse impasse, mas não é possível aceitar uma negociação em que só uma das partes cede e em que a proposta inicial é a mesma que a final. Consideramos importante os setores representantes dos movimentos sociais e dos trabalhadores na Comissão Organizadora Nacional manterem a defesa da proposta da Comissão Nacional Pró-Conferência, aprovada por consenso naquele espaço. Ela contemplava a divisão dos delegados com 20% para o poder público e 80% para a sociedade. No limite, a elaboração pactuada admitia uma divisão que previa 20% para o poder público, 30% para cidadãos e entidades da sociedade em geral e 50% para atores do campo da comunicação, divididos entre 25% para entidades e trabalhadores e 25% para os empresários da área. A nosso ver, qualquer negociação deve ser feita a partir desta proposta. Assumir a proposta do governo como a proposta possível só contribui para o enfraquecimento da Conferência como espaço de construção de posições legítimas e democráticas sobre políticas de comunicação. Temos compromisso com a realização da Conferência e com a participação neste espaço, mas achamos fundamental que as entidades da Comissão Organizadora Nacional defendam seu caráter amplo e democrático, seguindo as posições apontadas pelas Comissões Estaduais e pela Comissão Nacional Pró-Conferência. Neste momento de indefinições, os diferentes pontos-de-vista entre as entidades do mesmo campo devem ser vistos com naturalidade e tratados no âmbito da argumentação política, sem desqualificações ou insinuações de qualquer tipo. A despeito de qualquer divergência política, temos absoluto respeito por qualquer posição tomada pelas entidades deste campo. As diferentes avaliações de conjuntura e as decisões políticas tomadas por cada entidade sempre podem fortalecer nossa luta em comum, desde que apresentadas dentro de um espírito de respeito mútuo e de lealdade à construção coletiva. É assim que o Intervozes vem buscando atuar. Qualquer manifestação de associado deste coletivo em direção contrária expressa apenas sua posição individual, não devendo ser confundida com posição institucional. Saudações, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social ENECOS Carta aberta da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS A 13 de agosto, representantes do setor empresarial se retiraram deliberadamente do processo de construção da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Retiraram-se sob argumentos de defesa da constitucionalidade no que concerne a princípios como a "livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade". É preciso trazer a público esse debate. A Executiva Nacionald@s Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), bem como outras entidades da sociedade civil não-empresarial, em nenhum momento apresentou relutância quanto aos princípios constitucionais. Ao contrário do que dizem os empresários, durante todo o processo de construção da Confecom, assumimos para nós não somente os princípios apontados por este setor, como também exigimos a todo custo outros que também constam na Constituição de 1988. Exigimos a complementaridade entre sistemas público, privado e estatal, o respeito e a promoção dos direitos humanos, a garantia de mecanismo de controle público sobre os meios de comunicação. Consideramos a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como uma conquista histórica do povo brasileiro, que pela primeira vez poderá participar da elaboração das políticas públicas no setor da Comunicação. A ENECOS entende a saída dos empresários como uma falta de compromisso com o processo democrático que caracteriza essa Conferência. Desde o início dos trabalhos desempenhados pela Comissão Organizadora Nacional (CON), o empresariado se mostrou relutante em discutir questões do controle público e social dos meios de comunicação, defendendo uma Conferência que somente problematizasse o atual processo de digitalização pelo qual passa o setor de radiodifusão. Vemos essa retirada como mais um artífice na tentativa de impedir a livre realização da Confecom. Ainda assim, reconhecemos a importância do setor empresarial para que de fato a Confecom seja um espaço plural, com debates abertos e democráticos. E por defender isso, exigimos que as 8 entidades da CON que estão representando a sociedade civil, sigam as deliberações da Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação (CNPC). No entanto, não nos furtamos da legitimidade e da legalidade do processo enquanto marco para a formulação de políticas públicas para o campo das comunicações. Há dois anos, a CNPC vem exigindo a realização desta Conferência, A ENECOS não aceita que este governo se sinta ameaçado e fique acuado as chantagens empresárias, como na proposta de proporcionalidade de delegados, onde estariam reservadas 20% das vagas para o governo, 40% para as entidades sociais e 40% para o setor empresarial. Não vemos motivo plausível para que este último setor tenha garantido, preliminarmente, 40% do total de delegados da Confecom. Atentamos para a total ausência dos empresários nos processos estaduais das Conferências e questionamos: qual a legitimidade deste setor se o mesmo não tem se envolvido nas etapas regionais e, agora, se retira da nacional? Não concordamos, também, em absoluto, com a exigência de quorum mínimo qualificado de 60% para aprovação de questões sensíveis, sugerido pelo governo. Achamos que tal medida inviabilizaria a tirada de resoluções, atravancando o processo democrático e permitindo que a conferência se torne apenas um evento de fachada. Sendo assim, a ENECOS enxerga como caminho viável a tiragem de delegados em proporção de 80 % sociedade como um todo (empresarial e não empresarial) e 20% governo, acreditando que este é o caminho mais democrático e plural pelo qual a conferência poderá acontecer. Exigimos a imediata aprovação do regimento interno, e devemos considerar que já existem estados que estão realizando suas conferências, e o governo ainda não decretou o regimento da nacional. É um absurdo. Defendemos por fim o retorno dos 8,2 milhões de reais originalmente destinados à Confecom, cortados por arbitrariedade do governo. Entendemos que o processo de conferência não se realiza com o atual montante destinado (1,6 milhões), dada a proporção que essa conferência visa atingir. Mesmo que o governo sofra com os cortes de recursos, pois achamos inadmissível a liberação de dinheiro para banqueiros se salvarem da crise, assim não podendo aceitar que o corte tenha que vir exatamente em cima de um processo que visa o fortalecimento do dialogo, da democracia e da pluralidade no país. Acreditamos e lutamos por uma Conferência Nacional de Comunicação, ampla e plural, por isso vamos continuar na mobilização e na organização, e enfatizamos para que outras entidades da sociedade civil continuem seus processos de mobilização, pois somente com a nossa organização coletiva, iremos conquistar mais essa vitoria para toda a sociedade. Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social
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